NOS APAIXONAMOS POR UM STRIPPER
NOS APAIXONAMOS POR UM STRIPPER
Por: Edielc Angel
Capítulo 1

Sophia

Eu nunca imaginei que uma despedida de solteira fosse mudar tudo. Aos 34 anos, casada com Alex há doze anos, eu achava que já tinha visto de tudo na vida. Morávamos em uma casa confortável nos subúrbios de Chicago, ele como engenheiro sênior em uma construtora e eu como gerente de marketing em uma agência digital. Salários bons, viagens uma vez por ano, sexo uma vez por mês, se for tanto. A rotina tinha engolido a gente devagar, como areia movediça. Conversamos sobre contas, o cachorro que precisava passear, o N*****x que sempre parava no mesmo episódio.

Eu amava o Alex, de verdade, mas o fogo… aquele fogo que a gente sentia aos 22 anos tinha virado brasa morna.

Foi a minha amiga Rachel quem insistiu. “Sophia, você precisa sair dessa bolha conservadora. É só uma despedida de solteira na boate. Ninguém vai te julgar.” Eu ri, nervosa. Nunca tinha pisado em um strip club. Era o tipo de lugar que eu via em filmes e pensava: “isso é para outras mulheres”. Mas aceitei, coloquei um vestido preto simples, saltos médios, cabelo solto. Alex me deu um beijo na testa antes de eu sair: “Divirta-se, amor. Mas não faça nada que eu não faria.” Ele riu, eu ri também. Nenhum de nós imaginava.

A boate se chamava Velvet Underground. Luzes vermelhas, música pulsante, cheiro de perfume caro e suor. As meninas da despedida gritavam, jogavam dinheiro no palco. Eu me sentei no fundo, com uma taça de vinho na mão, tentando não parecer uma freira perdida. Até que ele subiu no palco.

Rick.

Ele era perfeito, corpo esculpido como se tivesse sido feito para ser olhado. Peito largo, braços tatuados, rosas, serpentes, palavras em latim que eu não conseguia ler. Cabelos ondulados até os ombros, castanhos com mechas douradas que brilhavam sob as luzes. Ele se movia como se a gravidade não existisse. Quando a música mudou para algo mais lento e sensual, ele desceu do palco e veio direto para a nossa mesa.

Seus olhos, verdes, intensos, cravaram em mim.

— Você é a única que não está gritando! — disse ele, voz rouca, sorrindo de lado. — Vou mudar isso.

Ele dançou só para mim, seu corpo roçando no ar, a poucos centímetros do meu rosto. Senti o calor da pele dele, o cheiro de óleo de coco e algo mais masculino. Suas mãos deslizaram pelo ar como se me tocassem sem tocar. Meu coração batia tão forte que eu achei que todo mundo ia ouvir.

Eu era conservadora. Igreja aos domingos quando era mais nova, valores tradicionais, casamento para sempre. Mas ali… meu corpo reagiu, um calor subiu pela barriga, desceu entre as pernas. Eu apertei as coxas, envergonhada. Ver ele seminu, me provocando, tão quente suado. No final da dança, ele inclinou o rosto perto do meu ouvido.

— Você tem olhos que guardam segredos, linda. Toma.— Ele colocou um cartão preto na minha mão. — Inauguração da nova casa de swing, The Eclipse. Sexta que vem, quero te ver lá, só olhar… ou mais. Você decide.

Eu guardei o cartão na bolsa como se fosse uma bomba. As minhas amigas riram, acharam graça. Eu fingi que era só brincadeira, mas no caminho inteiro para casa, eu só pensava nele. Naqueles músculos, no jeito que ele me olhava como se soubesse exatamente o que eu estava sentindo.

Cheguei em casa às duas da manhã. Alex estava acordado, assistindo TV na sala, e assim que fechei a porta, algo explodiu dentro de mim. O tesão que Rick tinha acendido não era para ele, era para o meu marido. Eu me joguei em cima de Alex, beijando-o com fome que não sentia há anos.

— Uau… o que deu em você? — ele murmurou, surpreso, mas já me puxando para o quarto.

Tirei a roupa dele com pressa. Montei nele como se fosse a última noite da vida. Gemi alto, arranhei suas costas, pedi mais forte, mais fundo. Alex estava encantado.

— Sophia… caralho… onde você estava escondendo isso?

Ele gozou rápido, mas eu continuei, montando até chegar ao meu orgasmo intenso, quase violento, com o rosto de Rick piscando na minha mente.

Deitada ao lado dele, suada, o arrependimento veio como uma onda fria. Eu amava o Alex, como pude pensar em outro homem enquanto transava com ele? Comecei a chorar baixinho.

— Ei… o que foi?

Alex me puxou para o peito.

Eu respirei fundo. Contei tudo. A dança. O jeito que Rick me provocava. O cartão, o convite para a casa de swing. Que eu tinha sentido desejo não só curiosidade, desejo de verdade.

— Eu gostei mais do que deveria, Alex. Me desculpa.

Ele ficou em silêncio por um minuto longo. Depois sorriu, um sorriso que misturava surpresa e algo mais escuro.

— Então… vamos aceitar o convite.

Eu arregalei os olhos.

— O quê?

— Vamos na inauguração. Só olhar, ver como funciona. Não prometo nada além disso, mas se isso reacendeu você… talvez valha a pena experimentar.

Meu coração acelerou de novo. Medo, excitação, vergonha. Tudo misturado. Eu me aninhei nele e sussurrei:

— Eu te amo!

— Eu sei, e eu te amo o suficiente pra tentar salvar a gente.

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