DIVÓRCIO

ELENA

HÁ UM ANO ATRÁS

Eu seguro aquela caneta como quem segurava uma tábua de salvação. Em seguida, olho para o papel à minha frente, o documento do meu divórcio, com um nó na garganta. Mas não de tristeza, e sim, de emoção, alívio... Eu enfim me livraria daquele casamento que representou os piores anos da minha vida.

Assino sem demora, em seguida, o Lorenzo, que para por alguns segundos com a caneta na mão, antes de assinar, fazendo a minha alma quase sair do corpo ao pensar que ele poderia desistir.

Quando ele enfim assina, saio daquele cartório sem olhar para trás. Ele não viu, eu estava de costas, mas um sorriso de felicidade estava estampado no meu rosto.

Eu chego no apartamento da Giulianna, onde ficarei até me reorganizar, e sou recebida com o estouro de uma garrafa de espumante barato. Estávamos fodidas demais para comprar o nosso champanhe favorito ou algo mais caro.

Ainda demoraria um pouco para eu receber minha indenização pelo tanto que tive que aguentar do Lorenzo, e pelo maledetto ter me roubado, já que fez comigo um empréstimo de um valor considerável, e nunca me pagou.

- O Lorenzo vai ter um troço quando descobrir que te deve dez milhões de euros - a Giu fala, com um sorriso vitorioso.

- Ainda está saindo barato para o maledetto - respondo tomando um gole da minha bebida. - Isso é só o início. Eu vou destruir o bastardo.

Após saborear a bebida, que parece a mais cara do mundo por ter sabor de vitória e liberdade, a Giu me ajuda a tirar todos esses adereços que cobrem o meu corpo. Começamos pela calça de alfaiataria e a camisa de linho, de tamanhos bem maiores do que costumo usar. Logo, os enchimentos que me fazem parecer ter trinta quilos a mais também são retirados. Eles estão espalhados pelos meus braços, busto, cintura, quadril, nádegas e vão até a altura dos joelhos.

Você pode estar se perguntando: porque precisou fazer algo tão estupido, Elena? Pois bem, lá vai a resposta: eu fui casada com um ser desprezível, e estava disposta a fazer o que fosse preciso para me livrar daquele casamento.

O Lorenzo começou do dia para a noite a transformar a minha vida em um verdadeiro inferno. Me trancava em casa, me batia, me traía, me torturava psicologicamente, e o pior de tudo, ele foi indiretamente responsável por eu ter perdido o meu bebê. E sobre isso, ele nunca terá o meu perdão.

O maledetto é daquele tipo de pessoa que não está nem aí se você tem um interior oco. Ele quer te exibir como um troféu, e por isso, sempre colecionou modelos e mulheres com curvas "perfeitas". Infelizmente, eu descobri isso só depois de casada, mas não tarde demais para usar ao meu favor.

Os enchimentos foram obra da imaginação fértil da minha melhor amiga. Quando a Giu me falou, eu simplesmente dei uma gargalhada. Achei que era mais uma das coisas cômicas que ela costumava falar ao longo do dia. Mas não, ela estava falando muito sério, e eu sorri ainda mais quando tive essa constatação.

Duas semanas depois, o plano maluco da Giulianna estava sendo colocado em ação. Não dava para aparecer com trinta quilos a mais do nada, então fui trocando os enchimentos gradualmente.

E não é que deu certo? Além de ter me livrado de qualquer investida dele, já que não me tocava desde que engravidei, ainda me livrei dos eventos sociais que eu era obrigada a frequentar. Ele já não queria me exibir como seu troféu, mas sim, me esconder a sete chaves.

Eu ainda fui além, e não só fiz uso dos enchimentos, como passei a usar a maquiagem contra mim, ao invés de usá-la a meu favor. Fiz um mini curso onde aprendi a deixar o rosto com marcas de expressões e manchas. Testei várias e várias vezes na frente do espelho, até que consegui chegar em um bom resultado.

Depois que já estava tudo certo com a caracterização, eu comecei a segunda etapa do plano. Ao invés de deixar claro que eu estava sedenta por me divorciar do Lorenzo, eu passei a implorar para que ele não me deixasse, e cheguei a falar que eu não conseguiria viver sem ele.

Quando o Lorenzo me pediu o divórcio, a sua justificativa foi que não queria ter a sua imagem vinculada a uma mulher gorda que não se cuidava. Aquilo foi melhor do que qualquer declaração de amor que ele já havia me feito. Até porque, não demorou para eu perceber que nenhuma delas foi sincera.

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