Lorena
Henrique ainda parecia meio perdido quando acordou. Sentou-se na cama, passando a mão pelo rosto, os cabelos desalinhados, os olhos estreitos de sono. Por um instante, quase senti pena. Quase. Mas o peso dentro do meu peito era grande demais para qualquer compaixão.
— Sabe de tudo? — ele perguntou, a voz rouca.
Eu assenti. Minha garganta ardia.
— Eu me lembrei… de tudo.
Dizer aquilo em voz alta fez meu estômago se revirar. As memórias tinham voltado como uma avalanche: meu passado, minha