Capítulo 11: A Fortaleza de Vidro e Ferro (Miguel)
A casa de Dona Glória, com suas cortinas de renda e cheiro constante de café com canela, havia se tornado o útero onde Ágata renasceu. Mas o mundo lá fora não era feito de rendas. O som dos fuzis no Setor 3 ainda ecoava nos meus ouvidos como um zumbido persistente, um lembrete de que a paz era um artigo de luxo que eu não podia mais oferecer a ela naquela localização.
O Dr. Arnaldo guardou o estetoscópio com a lentidão de quem carrega o peso de muitos segredos. Ele olhou para Ágata, sentada na beira da cama, e depois para mim.
— Fisicamente, ela é um milagre, Miguel. As costelas estão no lugar, os pulmões estão limpos. Vou dar a alta, mas com uma condição: nada de esforços, nada de estresse. Ela precisa de um ambiente onde não precise se preocupar se a próxima bala vai atravessar a parede de tijolos — o médico falou, limpando os óculos no jaleco encardido.
Ágata sorriu, um brilho de esperança iluminando seu rosto pálido. — Obrigada, d