Capítulo 13: O Faro do Lobo (Ricardo)
O silêncio do meu apartamento me irritava. Não era um silêncio de paz; era o silêncio de uma derrota que eu não estava disposto a aceitar. Caminhei pelo corredor e parei diante da porta do quarto de Ágata. Estava exatamente como ela deixou: a cama desfeita, o cheiro do perfume dela ainda impregnado no ar.
Vadia.
Ela achou que podia simplesmente abrir a porta e sumir no asfalto? Eu dei tudo a ela. Dei o teto, a comida, as roupas que cobriam a pele que eu mesmo marcava. Ela não era ninguém antes de mim, e agora achava que o mundo lá fora a acolheria.
— Onde você está, Ágata? — minha voz ecoou nas paredes frias.
Peguei o celular e liguei para o meu contato na Secretaria de Segurança. Eu não precisava de mandados. Eu tinha favores.
— Quero as câmeras de segurança de todo o perímetro dos Jardins. Das três da manhã até o amanhecer — despejei, sem cumprimentar. — Cada esquina, cada táxi que passou, cada ônibus. Se ela respirou perto de uma câmera, eu que