Mundo de ficçãoIniciar sessãoMilena é uma garota que decidiu tentar a vida ao lado de sua irmã gêmea no Rio de Janeiro, saindo do interior do nordeste às duas param no Complexo da Maré virando simples moradoras. Ela não para em casa de tanto que se dedica ao trabalho que conseguiu em um shopping e não vê o caminho que sua irmã leva com o passar dos anos. Depois de alguns anos em terras cariocas e com um bom dinheiro guardado, Milena é demitida do emprego encontrando a oportunidade perfeita para abrir seu próprio negócio, animada com a novidade corre para casa e quando chega no morro seu mundo desaba. Sua irmã é encontrada morta de forma cruel em uma vala na saída da favela, sua casa que era alugada foi queimada e todas suas economias em sua conta bancária sumiram. Correndo atrás para entender o que aconteceu, Milena descobre o assassino de sua irmã: Leandro, mais conhecido como LC, o dono do morro. Tudo fica como um borrão ao saber que seu dinheiro também foi enviado para ele e quando vai enfrentá-lo, uma vizinha conhecida a ampara não deixando que faça besteiras. Sem saída a única coisa que ela tem agora é o último dinheiro da saída do seu emprego e seu seguro-desemprego por alguns meses. Milena arca com a despesa de mandar o corpo de Mirela para sua terra Natal e permanece com uma quantia para se manter. O que a mantém em pé nesse momento difícil é o ódio e a sede de vingança contra Leandro. Em meio a desafios Milena vai descobrir que sua força é ainda maior e terá que lutar para sobreviver no mundo sombrio que entrará.
Ler maisMilena Fernandes
Tinha acabado de sair de uma loja com meu primeiro emprego no Rio garantido, era uma vida totalmente nova que estava levando aqui e justamente no segundo dia que chegamos já estava de carteira assinada. Precisava pegar um único ônibus que me deixava perto do Complexo da Maré onde atualmente morava com minha irmã, Mirela. Foi difícil sair do interior de Maceió para tentar uma vida nova aqui, nossos pais foram contra e queriam nossa permanência lá na cidade junto de todo restante da família. Eu bati o pé porque queria ter uma vida boa e lá eu sabia que não conseguiria ter, Mirela me apoiou nesse sonho e por isso a trouxe comigo, fora outros motivos. O trabalho foi dobrado como garçonete e atendente de padaria para poder pagar nossa viagem e moradia para uns meses. [...] Fazia uma semana que estávamos morando na Maré, não por escolha minha e sim, de Mirela que disse ser barato e que não teria riscos para nós duas. Eu confiava na minha gêmea e por isso não me opus. Consegui um trabalho de vendedora em uma loja do shopping que era próximo dali se fosse vir com algum meio de transporte, eles me deram vale-transporte e a dona gostou de mim, o que facilitou a conseguir a vaga. Já Mirela disse que conseguiu um emprego em uma lanchonete no morro, até que pagariam bem e eu trabalhava todos os dias, os que tinha folga ia dormir até tarde e cuidar da casa. Não dava de ver minha irmã durante a semana e estava ansiosa para os domingos, onde passaria o final de tarde e o restante da noite com ela. [...] Já era sábado e eu fui atender uma cliente que chegou quase na hora do meu horário de almoço. — Olá, bom dia — a cumprimentei com um aceno de cabeça — Tudo bem? Precisa de ajuda? — ofereço solicita e ela abre um enorme sorriso. — Oi, tudo ótimo, vou aceitar sua ajuda — Foi simpática já que eram poucas que preferiam ajuda de alguma vendedora — Eu acho que já te vi por onde eu moro, é bem familiar... — disse com um sorriso de canto e eu nego. — Eu trabalho aqui sempre, mal tô em casa e nem conheço muito o morro — ela da um gritinho rindo. — Falei que era você, é na Maré né? — confirmo — Te vi esses dias falando com o LC e a Ingrid — franzo o cenho porque não conheço essas pessoas que ta falando. — Realmente não era eu, não conheço ninguém com esse nome — sou sincera e ela faz um gesto com a mão. — Não precisa ter vergonha até eu já fiz parte daquilo, mas agora não faço mais... Sabe, eu namoro e tô tranquila agora. — não entendo nada e por isso sorriso amarelo para ela — Tá falando sério que não era você? — assinto séria — Então você deve ter uma gêmea muito idêntica — é debochada. A Mirela e eu não somos gêmeas idênticas, mas somos parecidas em alguns aspectos como cabelos, nariz e boca. Já nossa pele é bem diferente, ela sempre foi mais morena que eu, nasci branca como a neve e não posso pegar qualquer sol que fico vermelha como um pimentão. No nordeste vivia sofrendo quando precisava sair no sol quente sem um protetor solar bom, agora aqui, pelo menos isso eu tenho e não preciso sair na rua com o calor que faz durante o dia. — Na verdade eu tenho uma gêmea, só não somos tão parecidas assim, mas dá pra confundir se tiver longe — ela acha graça. — Aí menina, vou ter que agilizar minha compras aqui, que as garotas da SexyGirl estão esperando no salão — diz mudando o rumo da conversa e dou graças a Deus — Você pode escolher os melhores vestidos e os mais sensuais para mim, quero tamanho P e M — confirmo rapidamente. — Quantos e quais cores tem preferência? — ela da de ombros se sentando no sofá no meio da loja. — Todos que tiver e se puder, somente o básico como preto, branco e vermelho. Tudo que for ousado, pode escolher ao seu critério menina. — assinfo e vou atrás de tudo que ela pede. Perco as contas de quantos vestidos escolho e fico até meio perdida com a variedade que tem em cima do balcão do caixa onde Mariene passa roupa por roupa guardando dentro das sacolas da loja. A mulher que não perguntei o nome permanece no celular até eu informar que peguei o máximo que consegui e então, desliga o aparelho se levantando. — Sabe menina, eu e você devemos ter uma idade parecida... Aliás, você é bem mais bonita do que eu e se fosse bem cuidada melhoraria mais — um sorriso ajeitando a bolsa que carrega e me sinto desconfortável com seu olhar em mim — Ao lado daqueles dois você não tem muito futuro, é até perigoso quando Ingrid cismar na relação que tem com o LC — ela insiste nesse assunto que não faço ideia de onde tira. Eu não conheço essas pessoas que cita. — Se um dia quiser trabalhar para mim esse é meu número — estende um cartão que eu pego com os dedos trêmulos — No nosso local ainda vai poder ver ele já que é um dos nossos clientes frequentes — fico sem reação e ela pisca um olho — Se cuida menina e qualquer coisa me procura. — se encaminha até o caixa onde Mariana nos observa sem entender o que aconteceu. Fico aperreada pela insistência dessa mulher comigo sendo que não faço ideia de quem seja essas pessoas que falou. A imagem de Mirela vem a minha mente me deixando preocupada em ela estar se metendo com essa gente que aparentemente são perigosas no morro. Suspiro seguindo com meu serviço de arrumar as roupas que tirei das araras e assim continuo o meu dia ainda lembrando do que essa mulher disse. [...] O ônibus para na parada mais próxima da entrada da favela possível já passando das sete horas da noite, nesse horário minha gêmea nem em casa está. Mirela conseguiu um emprego num restaurante do morro, das dezoito horas às duas da manhã pelo o que disse. Então, quando saio as seis da manhã de casa ela ainda está dormindo pela noite agitada e mal temos conversado nesses dias que comecei a trabalhar. Subindo a rua em direção a barreira onde os traficantes dão o aval para cada morador subir para suas casas vejo as mesmas pessoas de todos os dias, sempre é assim desde de quando cheguei no primeiro dia. Mexem comigo com piadas baratas, tentam puxar assunto que corto sem muito interesse e sigo meu caminho. Assim que passo sendo liberada para continuar subindo escuto as risadas que já estou me acostumando e um deles diz que "sou difícil porque quero fazer charme", não olho para saber de quem se trata e de cabeça erguida subo a rua estreita. Uma moto desce em alta velocidade e parece que o silêncio reina quando ela para. Curiosa para saber o que aconteceu para os idiotas pararem com as gracinhas, me deparo com um homem descendo da moto discutindo com algum dos caras e cheio de raiva aponta pra mim. Fico com medo do que rola na conversa e até mesmo o problema que isso pode dar nas leis da favela, então corro morro acima indo direto para casa. Não tive tempo de conhecer ninguém aqui e também tô me sentindo meio deslocada por não ser daqui. Até mesmo no meu emprego, as pessoas tendem a nos olhar estranho quando percebem meu sotaque nordestino e eu evito o máximo puxar ele, por conta dos olhares tortos recebidos. Enfim, entro em casa sabendo que vou ter umas horas de descanso até um novo dia e me jogo direto no sofá simples no centro da sala sem reparar muito em como está a organização da casa. Mirela essas horas está trabalhando, nosso horário não b**e e quase nunca nos vemos pela correria, mas sei que vamos nos estabelecer para ter uma vida boa aqui. Meu sonho é abrir um salão de beleza depois de fazer cursos e guardar um dinheiro para ter meu negócio daqui um tempo. Mainha diz que vou querer ir embora e não consigo realizar esse meu sonho, mas não vou desistir que ela não me fez filha fraca. Minha gêmea diz que o que der dinheiro ela trabalha, por isso seja o que Deus quiser e não procura estudar, nunca foi disso. Somos diferentes em vários aspectos, enquanto eu me dedicava na escola e sempre trabalhava para ter minhas coisas, Mirela saia para tudo que era canto com suas amigas que foram uma a uma se perdendo na cidade, era embuchando, indo para as drogas e até mesmo se ajuntando com bandido. Mainha tinha medo que ela seguisse um desses caminhos, por isso eu quis me dedicar bastante para trazer ela comigo e como boa irmã que era para mim, tudo foi pesquisado por ela para virmos para cá. Me sentia bem sabendo que aqui já tava empregada com uma semana de chegada nesse lugar. Comecei a reparar na casa inteira e me deparei com tudo revirado, uma tremenda bagunça que ela fez e deixou por arrumar. A mais ela ia me escutar quando chegasse. Ah se ia! A pulso fui tirando as roupas do chão e até me assustei com uma camiseta masculina junto com as calcinhas dela no chão, sentia um cheiro ruim no ar que me deixou enjoada, mas não ia deixar essa casa desse jeito. Limpei tudo, organizei a sala, a cozinha que tinha louça toda suja e o meu quarto que não era para estar no estado que estava. Com roupas fora do guarda roupa, maquiagens mexidas na penteadeira e até meu pote com bijuterias tinha sido jogado na cama espalhando tudo deixando caído no chão. Aperriada com toda bagunça fiquei sentada na minha cama até criar coragem de ir tomar um banho quente para depois fazer algo para jantar. Nem que eu esperasse morta de sono Mirela chegar, mas eu ia falar com ela sobre essa bagunça na casa e se tinha algum envolvimento com esse tal de LC que a mulher no shopping me confundiu.Leandro Caio O vento no topo do morro sempre batia diferente. Mais forte. Mais limpo. Como se ali em cima o mundo desse uma trégua, mesmo que fosse mentira. Eu subi na frente, como sempre fazia. Não por educação. Era instinto. Olhar antes, sentir o ambiente, ver se tinha qualquer coisa fora do lugar. Mania de quem vive cercado de problema. De quem sabe que um vacilo pode custar caro pra caralho. Mas naquela noite… não era só isso. Eu sabia que ela vinha atrás de mim. E por isso já mexia comigo mais do que deveria. Dei mais alguns passos até a beirada da mureta, de onde dava pra ver a maré lá embaixo. As luzes da cidade lá longe, o morro todo iluminado parecendo calmo… mas eu sabia que não era. Nunca foi, igual a gente. Escutei os passos dela pararem perto. Não olhei na hora. Dei um tempo. Porque, por mais que eu não quisesse admitir, eu precisava daquele segundo pra me ajeitar meus sentimentos por dentro. — Caralho… — ela soltou, baixinho. Aí eu olhei, Milena tava parada,
Milena Fernandes O som da voz dele do outro lado da porta ainda ecoava na minha cabeça. — São 18h… se arruma… Fiquei parada no meio do quarto, sem responder. Não consegui. Meu corpo simplesmente não reagiu na hora. Era como se tudo tivesse travado depois do que eu vi lá embaixo. A cena se repetia na minha mente. Paula perto demais. A mão no rosto dele. A tentativa de beijo. E ele… Ele empurrando ela. Fechei os olhos com força. Aquilo não fazia sentido. Nada ali fazia sentido. Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos, mas só piorava. Porque quanto mais eu pensava, mais coisas vinham. O jeito que ele falou comigo ontem… o beijo… a forma como me olhava… como se eu fosse algo que ele queria, mas não deveria. Piorava lembrar da nossa noite juntos. O seu toque, o cheiro e como nossos corpos se encaixaram.Levei a mão até os lábios sem perceber. Droga. — Que merda é essa que tô sentindo… – murmurei pra mim mesma. Eu devia odiar ele. Devia. Era o certo. Era o lógico. M
Leandro Caio O morro já estava acordado antes mesmo do sol aparecer. E eu sempre estava de pé antes dele. Como sempre estive. Não era um hábito. Virou necessidade. Quando dormia demais aqui… perdia tudo o que passava bem de baixo dos meus olhos. Saí do quarto em silêncio, passando pelo corredor vazio. A casa parecia calma demais, mas eu sabia que era só aparência. Aqui dentro, tudo estava funcionando o tempo inteiro com a chegada de Milena. Como tenho feito nesses últimos dias, parei por um segundo antes de descer as escadas. Olhei na direção do quarto dela. Milena. Uma tensão estranha subiu pelo meu peito, rápida… incômoda. Lembrei no nosso beijo na noite passada, ela não saia da minha mente mais. Tocar nela era como cheirar uma carreira de pó, sempre ficava em busca de mais e mais. Era puro vício. Desviei o olhar na mesma hora. — Não viaja LC — murmurei baixo, passando a mão no rosto. Desci sem fazer barulho. Mas voltei sem hesitar, hoje eu queria sair com ela, mesm
Milena Fernandes Eu sei que não deveria gostar dessa sensação que ele me causa, era para eu me afastar e odiá-lo com todas as minhas forças por tudo que já causou. Agora me encontro aqui perdida na minha própria mente após ele me deixar sozinha. Deixando somente o gosto dos seus lábios nos meus. E eu não pude resistir, ao um homem de quase dois metros de altura exalando ciúmes, falando com todas as letras que agora eu era dele, fiquei fraca, cedi e não sei se me arrependo. Foi a primeira vez que alguém me disse algo com tanta intensidade assim, Leandro me tirava da realidade e me fazia ir aos céus somente com um olhar. Não era certo o que acontecia entre nós, quando tudo voltava ao normal vinha a culpa, o remorso e o arrependimento. Infelizmente cada vez que me aproximava mais dele, eram menos frequentes esses sentimentos de culpa. Deitada na cama esperava o sono vir, me recusava a fazer outra coisa a não ser dormir. O tempo parecia passar devagar, como se não houvesse pressa










Último capítulo