Capítulo 5

Jordan puxou Luna pela mão, como se fossem amigas de infância, atravessando a sala de estar em direção à cozinha aberta. O cheiro de café fresco misturava-se ao sal do mar que entrava pelas portas de vidro, e o estômago de Luna roncou — só então percebeu que estava com fome.

— Vem, primeiro café, depois tour oficial — disse Jordan, com um sorriso que iluminava o rosto moreno. — Você deve estar morta da viagem. Aqui eu sou a rainha da hospitalidade.

A cozinha era enorme, com uma ilha central de granito, armários brancos e prateleiras ocupadas por potes de proteína, frutas frescas e suplementos. A máquina de café parecia saída de um lugar caro demais para o orçamento de qualquer atleta.

Jordan pegou uma caneca, serviu o café.

— Açúcar? Aqui a gente come como reis e rainhas, mas treina como louco também.

Luna pegou a caneca, sentindo o calor reconfortante nas mãos ainda frias do ar-condicionado do carro.

— Obrigada.

Jordan apoiou-se na ilha, cruzando os braços. Os olhos castanhos brilhavam de curiosidade.

— Então, me conta tudo. Você veio do Havaí, né? Como o olheiro te achou? Você surfa desde quando? E família? Namorado?

Luna riu, soprando o café antes de dar o primeiro gole.

— Uau — disse, divertida. — Uma pergunta por vez. Vim do Havaí, sim, mas na verdade nasci na Califórnia. Nós nos mudamos bastante. Surfo desde que me entendo por gente — minha mãe me colocou na prancha quando consegui ficar em pé com equilíbrio. Ela também surfa. O olheiro me viu num campeonato juvenil local. Família é só minha mãe e meu irmão mais novo. E não, não tenho namorado.

Jordan arqueou as sobrancelhas, claramente impressionada.

— Mãe surfista? Que demais! Aposto que ela é incrível. E você… dá pra ver que é focada. Tipo zero distração.

Luna deu de ombros, sem saber muito bem como explicar.

— Foco é o que me mantém de pé.

Jordan assentiu lentamente, como se entendesse mais do que ela dizia.

— Deixa eu te contar um pouco sobre todos. A Kira é a competitiva, vai te testar logo no primeiro treino. É mau humorada e meio agressiva, mas acaba te forçando a dar o melhor de si. Meg é um doce, na dela. Os caras são de boa — Tyler e John são os palhaços, como você já deve ter percebido, e Peter é o sério. E o Ethan…

Ela fez uma pausa estratégica, com um sorrisinho malicioso.

— O que tem o Ethan? — Luna perguntou, tentando soar casual, mesmo sentindo o estômago dar um pequeno nó.

— Nada demais — respondeu Jordan, com um brilho divertido no olhar. — Só não costuma tropeçar desse jeito. Acho que você causou impacto. Ele toca em bares por aqui, compõe, vive com o violão grudado no corpo. Meio intenso, mas é gente boa. E solteiro. – Alice arqueou as sobrancelhas duas vezes quando disse isto.

Luna sentiu o rosto esquentar e deixou o olhar cair sobre a caneca.

— Eu vim pra treinar — disse rapidamente. — Romance não está nos meus planos.

Jordan deu um tapinha de leve em seu braço.

— Relaxa. Aqui a gente funciona como família. E falando nisso… — o sorriso dela se alargou — hoje à noite vai rolar um churrasco de boas-vindas. Nada exagerado. Fogueira, música, cerveja leve. Só pra você conhecer todo mundo com calma.

Luna arregalou os olhos.

— Uma festa e eu nem desfiz minhas malas? – Luna riu.

— Melhor ainda — respondeu Jordan, já se afastando. — Desfaz rápido, toma um banho e vem para a parte externa. Vai ajudar a quebrar o gelo antes dos treinos começarem de verdade.

Jordan começou a guiá-la pela casa: escadas para o andar de cima, quartos compartilhados, corredores cheios de quadros de paisagens de praias e pranchas antigas, banheiros simples, porém organizados. No porão, uma academia completa com pesos, bicicletas, esteiras, aparelhos de musculação, pranchas de equilíbrio e um aparelho de remo. Na lavanderia, duas lavadoras e duas secadoras enormes, roupas secando e mais pranchas penduradas.

— Aqui é sua vida agora — disse Jordan, abrindo a porta da varanda. — Mar na frente, casa nos fundos. Treino todo dia, risada toda noite. Se precisar de qualquer coisa, fala comigo.

Luna olhou para o horizonte. O sol começava a descer, tingindo o céu de tons quentes. Ondas quebravam ao longe.

— Parece um sonho — murmurou. — Obrigada, Jordan. De verdade.

Jordan passou um braço ao redor de seus ombros.

— De nada, garota! Agora vai se arrumar. E ó… — inclinou-se, conspiratória — se o Ethan te chamar pra ouvir música depois, aceita. Ele é muito bom.

Luna riu, revirando os olhos.

Mas enquanto subia as escadas em direção ao quarto, a imagem de Ethan sorrindo veio a sua mente.

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