Lilly
Depois de tudo, da entrega, da intensidade, fico de frente para James. Meu corpo ainda sente o peso do dele, o calor que não se dissipou, a respiração que ainda não encontrou um ritmo normal. Desta vez, não existe aquele silêncio estranho, nem o impulso imediato de me afastar ou me cobrir, como se o que acabou de acontecer fosse um erro a ser evitado. Não é assim. Há algo diferente no ar, algo mais firme, mais presente. Ele me observa, olha para mim, sem fuga nos olhares. Até neles há alguma intensidade.
James solta um suspiro longo, passa a mão pelo cabelo molhado e me encara de um jeito quase vulnerável.
— O que você está fazendo comigo?
A pergunta não vem como acusação, nem como provocação. Vem como confissão. Eu sorrio de canto, cansada demais para fingir indiferença.
— Eu poderia fazer a mesma pergunta — respondo, sem desviar o olhar.
Ele ri sem humor algum e balança a cabeça.
— Eu não sei mais quem eu sou — diz, baixo. — E isso me dá um pouco de medo.
Eu