— Ryan Foster, o que você está fazendo?!
Sarah se levantou e o empurrou para trás.
— Emmy, você está bem?
Emily estremeceu com o frio do líquido, pegou lenços de papel e limpou o café do rosto devagar, depois passou pelo corpo com calma.
As pessoas ao redor lançavam olhares curiosos para o grupo.
— Emily, você é uma qualquer. Se não fosse minimamente bonita, acha que alguém olharia para uma caipira sem futuro como você?
— Minha mãe sempre teve razão. Devia ter terminado com você faz tempo. Uma pessoa como você não merece ficar do meu lado!
As palavras de Ryan chegaram aos ouvidos de Emily como facadas.
O coração doeu — mas veio junto um alívio enorme por Deus ter deixado ela enxergar a face real dele antes que fosse tarde demais.
Os insultos ainda ecoavam quando ela respirou fundo e se levantou.
Deu um passo à frente e encarou Ryan bem nos olhos enquanto ele levantava a mão.
Estalo.
— Sua v***! Como você ousa me bater?!
Ryan ficou incrédulo.
Emily sempre havia sido tão gentil, tão calma, sempre falando com ele em tom suave. Jamais imaginou que ela ousaria levantar a mão para ele em público.
Sentindo os olhares divertidos das pessoas ao redor, ele ficou vermelho de raiva, os olhos flamejando.
Sarah rapidamente se colocou na frente de Emily, com medo de que ele reagisse.
Emily o encarou com frieza:
— Já que sua mãe não teve competência para te ensinar o básico e deixou você latir feito um animal, então eu faço isso por ela.
— De nada.
Antes de virar para sair, ela limpou as mãos no guardanapo com toda a calma do mundo.
Em seguida, puxou Sarah — que estava vermelha de raiva — pelo braço e saiu da cafeteria.
Ryan ficou olhando para a figura de Emily se afastar, um brilho de ódio escuro nos olhos.
Emily Carter. Você vai se arrepender disso.
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Não muito longe dali, Alexander — que deveria já estar a caminho — havia visto tudo aquilo de dentro do carro. Arqueou uma sobrancelha.
Theo pegou o café que acabara de comprar e o colocou no porta-copos do banco traseiro.
Seguindo o olhar de Alexander, os dois viram Ryan.
Theo pensou por um instante, pegou o celular e enviou uma mensagem para o patrão.
— Senhor Hayes, este é o vídeo do que aconteceu ontem no shopping entre a senhora e aquele homem.
Alexander abriu o arquivo, leu o conteúdo e desligou a tela.
Um sorriso sardônico surgiu no canto dos lábios.
Ela claramente ainda tinha sentimentos por alguém — e mesmo assim disse que se casou com ele porque gostava dele. Realmente não se pode confiar na palavra de uma mulher.
— Investigue tudo sobre esse homem e me mande o relatório.
— Certo, senhor.
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Emily e Sarah saíram da cafeteria lado a lado.
— Eu nunca imaginei que o Ryan Foster, que sempre pareceu tão educado, fosse na verdade esse tipo de gente — disse Sarah, cerrando os punhos com força.
Emily estava usando uma blusa branca — escolhida justamente para as fotos da certidão de casamento. Embora o café não tivesse derramado tanto, o contorno do sutiã aparecia vagamente por baixo do tecido molhado.
Por sorte, havia uma loja de roupas logo ao lado. As duas entraram, compraram uma peça e Emily trocou na hora.
— Estou bem.
Ao ver a preocupação que Sarah não conseguia esconder nos olhos, Emily sentiu um calor no peito e a tranquilizou com um sorriso.
— Quando ele foi embora, o jeito que olhou para você era de alguém que queria te destruir. Precisa tomar cuidado, tá? Se quiser, fica na minha casa por um tempo.
Emily tinha uma pequena loja de cerâmica artesanal na Rua Comercial de Guhe — San Cerâmica. O térreo era para atendimento ao público; o segundo andar, sua moradia.
Emily balançou a cabeça.
— Pode ficar tranquila. Você esqueceu que tem uma delegacia a poucos metros da loja? Duvido que ele seja tão ousado assim.
— Mas...
— Não fica assim. Eu mesma vou tomar mais cuidado. E não estou sozinha lá — tem a Mel e a Gabi comigo.
— ...Tudo bem.
Vendo a expressão determinada da amiga, Sarah não teve coragem de insistir.
— Então te acompanho até a loja e depois vou embora.
Sarah trabalhava no departamento comercial de uma empresa e viajava constantemente a trabalho. Havia acabado de sair de uma reunião com um cliente quando combinou o encontro com Emily — e jamais imaginou que o dia terminaria assim.
Depois que Sarah a deixou na loja, um cliente entrou em contato com ela por mensagem, e ela se despediu e foi embora.
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Era segunda-feira, dia útil. O movimento estava fraco.
Embora a loja de Emily ficasse numa rua comercial, estava no cantinho mais afastado dela. A maior parte do negócio vinha das redes sociais — I*******m, TikTok — que atraíam clientes de longe. Ela havia escolhido aquele ponto justamente pelo aluguel barato, aproveitando o fluxo de pedestres da rua sem pagar caro por isso.
O prédio tinha cinco andares e era bem antigo. A maioria das pessoas torcia o nariz para ele — por isso Emily era praticamente a única moradora.
Ela trocou de roupa. Já eram quase seis da tarde.
Quero ir ver a vovó.
Mal entrou na sala de estar da casa da família Carter, ouviu barulho lá dentro.
Olhou na direção do som: seus pais e sua meia-irmã, Isabela, estavam sentados no sofá.
Isabela estava aninhada nos braços da mãe, aparentemente animada com algum assunto.
A senhora Carter notou Emily na mesma hora. O rosto fechou instantaneamente.
— O que você está fazendo aqui?
Emily os ignorou e subiu as escadas.
— Para aí! Mal-educada ingrata!
Emily se virou e olhou nos olhos da mãe:
— A senhora tem razão. Afinal, não tive uma mãe por perto para me ensinar quando era pequena.
— Você...
— Já chega. Comportem-se.
O senhor Carter a repreendeu do lado.
Forçou um sorriso e disse a Emily:
— Você voltou para ver sua avó, não é? Ela está acordada, mas o médico disse que não pode passar por emoções fortes — nem susto, nem alegria excessiva.
Emily olhou para o rosto hipócrita dele e entendeu o recado nas entrelinhas: "não conta para a vovó sobre o casamento." Ela zombou interiormente.
— Eu sei.
Sem dar mais uma olhada para nenhum dos dois, ela se virou e subiu.
— Pai... você viu a atitude dela? — reclamou Isabela, com um bico no canto da boca. Ela esperava que a irmã mais velha, criada no interior, tentasse se aproximar depois de voltar — mas Emily a ignorava completamente.
— Deixa isso. A família Hayes acabou de investir na empresa hoje, o que vai cobrir boa parte das dívidas externas. Não esquenta — afinal, ela é a nora dos Hayes agora.
Isabela ouviu com o rosto fechado, mas engoliu a insatisfação. Enterrou o rosto nos braços da mãe e murmurou alguma coisa baixinho.
Emily não fazia ideia do que acontecia lá embaixo.
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— Vovó.
Quando a senhora Carter viu Emily entrar, um sorriso largo abriu o rosto enrugado dela.
— Minha Emmy chegou.
Emily pegou a mão da avó — não estava tão fria quanto no dia anterior. Soltou o ar de alívio.
— Como está se sentindo?
— A vovó está bem, meu amor. Não precisa se preocupar.
A idosa usou a outra mão para afastar um fio de cabelo solto da testa de Emily.
Os olhos de Emily marejaram.
— Vovó...
Com certeza vou trazer ela para morar comigo. Cuido dela eu mesma.
— Quantos anos você tem? Por que ainda chora que nem criança? — provocou a avó com um sorriso maroto.
Vovó, você não para nunca...
Ao ver que a avó estava com bom humor e boa cor no rosto, Emily foi embora com o coração mais leve.
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No caminho de volta, um aguaceiro repentino caiu sem aviso.
Emily não era das melhores motoristas — então, por segurança, reduziu bastante a velocidade e foi com cuidado.
De repente, uma sombra escura surgiu na frente do carro.
Ela se assustou e virou o volante sem querer — o carro invadiu a outra faixa.
BAQUE.
O carro bateu de lado em outro veículo que vinha normalmente. O barulho foi alto.
O coração de Emily disparou. A mente ficou em branco por alguns segundos.
Quando se recompôs, empurrou a porta, saiu debaixo da chuva e correu até o banco do motorista do outro carro.
O vidro desceu. Emily disse com voz apressada e tom de desculpa:
— Sinto muito, a culpa é toda minha, eu assumo toda a responsabilidade...
— Senhora Hayes?! — exclamou Theo, claramente surpreso.
Emily piscou. O rosto na sua frente parecia familiar. Levou um instante para cair a ficha — era o assistente de Alexander.
O carro que ela bateu era o de Alexander?
Alexander estava lá dentro...?
Ela sentiu um aperto no estômago só de imaginar aqueles olhos frios.
Sempre tinha a sensação de que ele podia sair do carro a qualquer momento e despedaçá-la.
— Senhor Hayes, é a senhora. Vou descer e verificar o carro.
Nenhum som vinha do banco traseiro. Theo pegou um guarda-chuva, abriu a porta e o segurou sobre a cabeça de Emily.
— A senhora está bem?
— Estou.
— O dano não parece grave. Vou falar com o senhor Hayes sobre isso — disse Theo depois de caminhar até o lado direito e inspecionar a lataria.
Emily soltou o ar de alívio.
Mesmo assim, depois de pensar por um instante, decidiu que deveria falar diretamente com Alexander.
Disse isso para Theo, abriu a porta traseira do carro e enfiou a cabeça para dentro.
De repente, o olhar dela encontrou o de Alexander.
— Senhor Hayes...