Senti meu corpo inteiro tremer sob uma onda de raiva profunda. Eu não conseguia compreender como, nem por que, alguém poderia ser tão cruel de forma tão gratuita — ainda mais com a própria filha.
Ignorando as inseguranças que fervilhavam dentro de mim, encarei Carla com firmeza.
–Me responde uma coisa. Você é mesmo a mãe da Dália?–
O rosto dela empalideceu por um instante antes de se retorcer em uma carranca.
–C-como… Como se atreve a me perguntar algo assim?–
–Eu entendo você me odiar pelo meu passado com o Leonardo, entendo você odiar ele por ter te exilado, mas a Dália? Por que odiar ela? Você a carregou no ventre por nove meses, deu vida a ela, ela é um pedaço seu. Como pode odiá-la? Nem um cachorro machuca o próprio filhote, mas você… Você tentou matá-la quando tinha apenas dois anos, continua ameaçando machucá-la, trata-a com frieza e indiferença, usa-a apenas para posar em fotos. E isso me faz questionar: você é realmente mãe da Dália? Você realmente deu à luz a ela?–
–CALE A B