Capítulo 5

Ava entrou na sala tentando manter a postura firme, mas o desconforto era evidente em cada movimento. Assim que cruzou a porta, sentiu o peso da situação cair sobre ela de forma inevitável. Não era apenas uma entrevista. Não era apenas uma oportunidade de emprego. Era o homem com quem havia passado a noite anterior, agora sentado diante dela, em uma posição de controle absoluto, observando cada detalhe como se tivesse todo o tempo do mundo.

Adrien Backman não desviou o olhar em nenhum momento.

Pelo contrário, analisava Ava com uma atenção silenciosa, absorvendo cada reação, cada hesitação. Havia um leve sorriso em seus lábios, discreto, quase imperceptível, mas suficiente para deixar claro que ele reconhecia perfeitamente quem estava diante dele.

— Senhorita Beker — disse, com a voz calma e firme. — Pode se sentar.

Ava obedeceu, acomodando-se na cadeira à frente da mesa, tentando manter o controle da própria expressão, embora soubesse que aquilo era quase impossível. As mãos repousaram sobre o colo, levemente tensas, e ela precisou de alguns segundos para organizar os pensamentos.

Adrien não tinha pressa.

Apoiado na cadeira, manteve o olhar fixo nela antes de continuar.

— Para começarmos de forma simples… você é casada?

A pergunta veio direta demais.

Ava hesitou por um breve instante, mas não desviou.

— Não. — respondeu, firme. — Acabei de me divorciar.

Ele assentiu lentamente, como se aquela resposta confirmasse algo que já sabia.

— Entendo.

O silêncio que se seguiu foi curto, mas denso o suficiente para aumentar ainda mais a tensão no ambiente.

— Fale sobre sua experiência — continuou ele, cruzando levemente as mãos sobre a mesa.

Ava respirou fundo antes de responder.

— Eu não tenho experiência prática relevante. Me formei em Direito, fui uma das melhores alunas da minha turma, mas não exerci a profissão. Meu ex-marido não queria que eu trabalhasse. Na época, eu aceitei. Hoje entendo que foi o pior erro da minha vida.

Adrien inclinou levemente a cabeça, como se avaliasse não apenas o que ela dizia, mas a forma como dizia.

— E, mesmo assim, você acredita que está pronta para uma posição aqui dentro?

— Sim. — respondeu sem hesitar. — Eu sei exatamente o que um advogado júnior faz. Sei que não tenho experiência, mas tenho conhecimento, disciplina e disposição para aprender. Eu vou dar o meu melhor.

O olhar dele mudou sutilmente.

Não era aprovação.

Era interesse.

Mas desapareceu quase no mesmo instante.

— Diga-me uma coisa, senhorita Beker… — começou ele, com a voz mais baixa, carregada de um tom controlado. — Você costuma dormir com homens desconhecidos e ir embora antes que eles acordem?

O ar pareceu desaparecer da sala.

Ava sentiu o rosto esquentar imediatamente, a vergonha subindo sem controle. Por um instante, pensou em negar, fingir que aquilo não tinha acontecido, mas sabia que seria inútil.

— Aquilo foi um erro. — respondeu, mantendo o máximo de firmeza que conseguiu.

Adrien soltou um leve riso, baixo, quase contido.

— Erro? — repetiu, como se analisasse a palavra. — Interessante.

Ava desviou o olhar por um segundo, respirando fundo antes de encará-lo novamente.

— Eu preciso desse emprego.

A frase saiu mais sincera do que ela pretendia.

Adrien a observou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse avaliando muito mais do que apenas a resposta.

— Todas as pessoas que estão lá fora precisam — disse, por fim. — Isso não é um diferencial.

Ele se inclinou levemente para frente, reduzindo a distância entre eles de forma sutil, mas suficiente para aumentar ainda mais a pressão.

— Me convença a te contratar.

O coração de Ava acelerou, mas ela não recuou. Sabia que aquele momento definiria tudo e, pela primeira vez desde que entrou naquela sala, decidiu deixar o constrangimento de lado. Não era sobre a noite anterior. Era sobre o que vinha depois.

Ela começou a falar.

Não de forma ensaiada, mas real.

Falou sobre a faculdade, sobre o desempenho, sobre o que sabia fazer, sobre a forma como pensava, sobre o quanto estava disposta a aprender e provar que era capaz. Não tentou parecer perfeita. Tentou ser verdadeira.

Adrien ouviu tudo.

Sem interromper.

Sem demonstrar exatamente o que pensava.

Quando ela terminou, o silêncio voltou a ocupar o espaço entre eles.

— Certo. — foi tudo o que ele disse.

Ava saiu da sala sem saber exatamente o que esperar.

O corredor parecia mais longo do que antes e, a cada passo, a sensação de incerteza aumentava. Assim que deixou o prédio, a única conclusão que conseguiu chegar foi simples: não tinha ido bem. A mistura entre o constrangimento e a pressão da entrevista tinha sido demais e, por mais que tivesse tentado se manter firme, não acreditava que ele a escolheria.

Passou o restante do dia tentando não pensar nisso.

Tentando se convencer de que outras oportunidades apareceriam.

Mas, no fundo, sabia que não seria fácil.

Horas depois, já em casa, o celular tocou novamente.

O coração acelerou.

Atendeu.

A voz do outro lado era a mesma da empresa.

— Senhorita Beker, estamos entrando em contato para informar que você foi selecionada para a vaga. Gostaríamos que comparecesse amanhã para iniciar o processo de admissão.

Ava ficou em silêncio por alguns segundos, tentando entender se tinha ouvido corretamente.

— Eu… fui contratada?

— Sim.

Quando desligou, permaneceu parada, absorvendo aquela informação.

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