Ruby
A manhã começa comum demais para um dia que quase acaba com tudo. Dustyn está inquieto no banco de trás, embalado pela babá, enquanto eu observo o portão da mansão se fechar pelo retrovisor.
O sol ainda está baixo, e por um segundo eu penso em Andrew, em como ele sempre dizia que manhãs assim enganavam a gente. Bonitas demais para serem seguras.
— “Está tudo bem, senhora Ruby” — diz um dos seguranças pelo rádio. — “Só vamos dar uma volta no quarteirão antes de seguir.”
Assinto, mesmo sabendo que eles não me veem. Na frente, apenas um carro. Quatro homens. Os homens de Ethan. Pouco. Pouco demais.
Sinto um aperto estranho no peito, como se algo estivesse errado antes mesmo de acontecer. O carro desacelera de repente.
— O que foi? — pergunto.
Não dá tempo de resposta. Dois veículos surgem rápido demais, fechando a rua como se já soubessem exatamente onde parar. O som dos pneus cantando no asfalto ecoa alto, agressivo. O carro da frente tenta recuar, mas já é tarde.
Portas se abrem.