34. Metade de Mim
Caroline Hart
A batida da música ecoava baixinho pelo rádio velho da cozinha, e, pela primeira vez em dias, meu corpo se permitia relaxar após toda aquela loucura.
A colher de pau virou microfone. A frigideira, tambor improvisado. E eu, com a camiseta larga, meu avental e o cabelo preso de qualquer jeito, dançava entre a bancada e o fogão como se ninguém estivesse vendo.
Ou se importando.
Minha cantora favorita, Lana Del Rey, tocava no rádio.
Meus pés deslizavam pelo chão, os ovos quase queiman