Fernanda Vasques
O escuro não era preto. Era um cinza denso, uma neblina que pesava sobre as minhas pálpebras como se fossem feitas de chumbo. Eu tentava gritar, mas a minha voz era um rastro de fumaça que se dissipava antes de chegar à garganta. Eu sentia meu corpo, mas não como algo meu; era uma carcaça distante, uma estrutura fria e quebrada que eu observava de algum lugar muito profundo, lá no fundo da minha própria consciência.
Mas eu ouvia.
O som chegava distorcido, como se eu estivesse su