Eu precisava sair.
Precisava respirar como se o ar da casa tivesse acabando.
Pego apenas um sobretudo e fecho a porta atrás de mim sem olhar pra trás.
Não quero despedidas.
Não quero transformar isso em um adeus definitivo.
Se eu disser em voz alta, vira real demais.
A noite me engole rápido.
Ando sem rumo, as mãos enfiadas nos bolsos, o frio atravessando o tecido fino e me fazendo tremer.
Aperto o sobretudo contra o corpo, como se isso pudesse me manter inteira.
Mas não mantém.
M