Mundo ficciónIniciar sesiónHelena
Eu olhei a minha imagem no espelho rachado. As alças do biquíni branco podiam ser vistas entre as alças do vestido de mesma cor. Era um luau e como todo luau acabava com todo mundo dentro d’água.
A buzina soou na frente de casa e minha mãe gritou lá de baixo – Leninha, Dayse chegou. – Eu desci as escadas correndo, gritei um “bença, mãe” e saí.
Dayse era a minha melhor amiga. Nos conhecíamos desde sempre. Ela morou na casa ao lado por muito tempo, mas assim que pode o pai dela comprou uma casa na beira-mar e transformou numa pousadinha, que cresceu e se virou em uma pousada maior e muito procurada com piscina e tudo. Ela tinha acabado de ganhar um carro do pai dela. Não era um carro novo, mas um Pálio ano 2012 em excelente estado. Ela reclamava, dizendo que o pai era pirangueiro. Eu ria disso, mas a verdade era que eu concordava com Seu Hugo. Não havia necessidade de um carro caro se esse andava do mesmo jeito e estava em perfeitas condições. Mas na primeira vez que eu ousei dizer isso quase apanhei da minha amiga. Assim, eu apenas ria, sem coragem para exprimir uma opinião.
- Dá uma paradinha lá na esquina. – Pedi.
- Vai roubar a planta da mulher de novo.
- É apenas uma flor e Dona Mariinha não se importa. Ela mesma me disse que eu posso pegar de vez em quando.
- Sendo assim, rouba uma pra mim também.
- Eu não estou roubando, Dayse. Já disse: Tenho autorização.
- Que seja.
Ela parou na esquina e eu me estiquei pela janela do carro para alcançar um pé de buquê de noiva que ficava em frente à casa de Dona Mariinha. Eu coloquei uma flor na minha orelha e olhei para Dayse – Que tal?
- Uma gata. Cadê a minha?
- Aqui. – Entreguei-lhe a sua flor.
- Sabe quem vai estar lá? – Ela me perguntou movendo a sobrancelha sugestivamente e dando partida no carro.
- Não faço ideia.
- Marquinhos.
- E?
- Coitado, Helena. Ele gosta tanto de tu, mulher. Tem que dar uma chance pra ele.
Marquinhos era um amigo dos bons. Sempre ali para o que precisasse, tomava conta de Toninho pra mim quando saíam à noite ou quando algum problema surgia. Eu gostava muito mesmo dele, mas como amigo. – Não vai rolar.
- Eu me pergunto às vezes o que tu “tá” esperando.
- Eu?
- É. Sei lá, tu não “gosta” de ninguém, não “fica” com ninguém, não “paquera” ninguém. Tua vida é uma maresia só, mulher. Tem que se divertir um pouco, Leninha. Vai acabar ficando no caritó.
Eu ri. Dayse era engraçada. Enquanto eu não ficava com ninguém, a vida dela era uma badalação sem fim. Encolhi os ombros – Eu não estou esperando nada. Eu só quero organizar a minha vida antes de pensar nisso. Eu quero...
- Eu já sei o que tu queres. Queres ir estudar nos states. Eu realmente torço por vocês, Leninha. Tu “sabe” disso. Mas eu fico pensando que se isso não der certo tu vai ter perdido muito tempo e oportunidade. Se “inscrevesse” no ENEM?
- Sim.
- É isso aí. Quem sabe mais na frente tu não faz uma pós-graduação em Harvard?
- Eu sei. Você tem razão. Vamos esquecer isso só por essa noite. E só pra constar, o fato de eu não querer ficar com Marquinho não tem nada a ver com meus planos para o futuro. Eu só não estou afim dele mesmo.
- Ok! Anotado.
André morava em um residencial na beira-mar da praia de Muro Alto e ficava vizinho ao Resort de Seu Carlos e Dona Beatriz. Nós estacionamos no residencial e fomos caminhando até a areia da praia. De longe já podíamos ouvir o som do violão e o coro de vozes cantando presente de um beija-flor de Natiruts. Logo avistamos o grande grupo reunido em volta de uma fogueira. O negócio estava animado.







