POV: MARI
O relógio do micro-ondas marcava nove e três da manhã.
Minha mãe apareceu na tela do iPad apoiado na ilha da cozinha. Cabelo alinhado, a mesma blusa de linho clara de sempre e aquela postura de quem parecia nascer pronta.
Puxei a banqueta e sentei.
— Tudo bem por aí?
Na sala, Gabriel ocupava metade do sofá como se morasse ali fazia anos. Tinha chegado na sexta à noite e, em nenhum momento, a palavra "ir embora" entrou na conversa.
— Tudo.
Passei os dedos ao redor da caneca quente.
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