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CAPÍTULO 7 – LINHAS DE TRAIÇÃO

O primeiro golpe veio antes do amanhecer completo.

Não foi um ataque direto.

Foi silêncio.

Silêncio demais.

Liora percebeu primeiro.

Estava parada ao lado de Kael na varanda de pedra da casa principal quando a sensação percorreu sua pele como gelo líquido. A floresta continuava ali — viva, respirando — mas havia… falhas.

Espaços vazios.

Como batimentos que desaparecem no meio do ritmo.

Ela franziu levemente a testa.

— Tem alguma coisa errada.

Kael não perguntou como ela sabia.

Ele já estava aprendendo.

Os olhos dourados percorreram a linha das árvores.

— Onde?

Liora fechou os olhos por um segundo.

Sentiu.

Buscou.

Agora vinha mais fácil — como se o território tivesse aberto uma porta interna dentro dela.

Os lobos da Nightshade eram pontos familiares. Firmes. Conectados.

Mas perto da fronteira leste…

Havia oscilações.

Presenças que apareciam e desapareciam rápido demais.

E entre elas—

Um vazio conhecido.

Muito próximo.

Dentro demais.

Os olhos de Liora se abriram bruscamente.

— Não é só a fronteira.

A mandíbula de Kael travou.

— Fala.

Ela virou o rosto lentamente para a casa atrás deles.

A voz saiu baixa.

— Tem alguém aqui dentro ajudando.

O ar ficou pesado como chumbo.

Por um segundo inteiro, Kael não se moveu.

Mas quando se moveu…

O Alfa apareceu.

Frio.

Letal.

— Tem certeza?

— Eu não sinto a pessoa — Liora admitiu, frustrada. — Mas sinto a ausência. Como se… como se alguém estivesse abrindo caminhos.

Aquilo era pior.

Muito pior.

Porque significava planejamento.

— Viktor — Kael chamou, a voz ecoando pela varanda.

O beta apareceu segundos depois, já tenso.

— Alfa.

— Quero relatório completo da ala leste. Agora.

Viktor assentiu, mas seus olhos passaram rapidamente por Liora — avaliando.

Ainda havia desconfiança ali.

Menos que antes.

Mas ainda viva.

— Já tivemos duas patrulhas que não responderam — ele disse. — Achei que fosse interferência de Rowan.

O coração de Liora bateu mais forte.

— Não é só isso.

Viktor ficou imóvel.

— Explique.

Ela respirou fundo.

Odiava não ter respostas completas.

— Alguém está facilitando a passagem deles. Não diretamente… mas criando brechas.

O silêncio que caiu foi pesado.

Calculado.

Perigoso.

Kael virou-se lentamente para Viktor.

— Quero nomes de quem estava de guarda nas últimas seis horas.

— Alfa… — Viktor hesitou. — Isso pode causar—

— Faça.

A palavra saiu como lâmina.

Viktor assentiu e desapareceu escada abaixo.

Liora soltou o ar devagar.

— Você acha que é alguém próximo?

Kael não respondeu imediatamente.

Os olhos dele estavam escuros agora.

Pensando.

Calculando.

— Traição raramente vem de longe — ele disse por fim. — Vem de quem conhece as portas.

Um arrepio percorreu a espinha de Liora.

Porque ela sentia.

Cada minuto que passava…

Rowan estava mais confiante.

Mais ousado.

Como se soubesse exatamente até onde podia ir.

Como se alguém estivesse dizendo.

Ela levou a mão ao pulso.

A marca respondeu.

Não com dor.

Mas com calor inquieto.

— Ele está esperando alguma coisa — ela murmurou.

Kael virou o rosto para ela.

— O quê?

Ela hesitou.

Porque a resposta que vinha não era lógica.

Era instinto puro.

— Por mim.

O silêncio entre eles ficou afiado.

Mas antes que Kael pudesse responder—

Um uivo rasgou o ar.

Próximo.

Muito próximo.

E não era da Nightshade.

O corpo inteiro de Liora reagiu.

Instintivo.

Selvagem.

Kael já estava se movendo.

— Dentro. Agora.

— Nem pensar.

Ela deu um passo à frente antes que ele pudesse impedi-la.

O ar ao redor dela vibrou — mais forte que antes.

Mais estável também.

Algo estava mudando rápido demais.

Kael percebeu.

Os olhos dourados estreitaram.

— Você ainda não controla isso.

— E não vou aprender escondida.

A tensão entre eles estalou.

Por um segundo perigoso.

Então—

Outro uivo.

Mais perto.

Desafiador.

Provocando.

A resposta da alcateia Nightshade veio forte da floresta.

Mas Liora ouviu o que ninguém mais ouviu.

Uma falha no coro.

Um lobo que respondeu atrasado demais.

Os olhos dela se arregalaram.

— Kael.

Ele já estava olhando para ela.

— Quem?

— Patrulha norte. Um deles hesitou.

Sem outra palavra, Kael agarrou a mão dela.

O vínculo entre eles acendeu instantaneamente.

— Fique comigo — ele ordenou.

Não como comando.

Como necessidade.

Eles desceram as escadas rápido.

O ar lá fora estava elétrico.

Guerreiros se posicionavam.

O cheiro de tensão era quase visível.

Mas para Liora…

Havia algo mais.

Ela puxou o braço de Kael de repente.

— Ali.

Ele seguiu o olhar dela.

Entre as árvores…

Movimento.

Rápido demais para olhos humanos.

Mas não para os dela agora.

Uma sombra recuou.

Observando.

Testando.

Rowan não estava atacando ainda.

Ele estava brincando com a linha.

Provocando Kael a reagir primeiro.

Estratégico.

Frio.

Perigoso.

A mão de Kael apertou a dela.

— Ele quer que eu avance.

— Eu sei.

O coração dela batia forte.

Mas não de medo.

De resposta.

Algo dentro dela queria sair correndo para a floresta.

Queria caçar.

Queria—

Ela travou.

Respirou fundo.

Controle.

Controle.

Controle.

Mas então…

Veio de novo.

A sensação errada.

Não da floresta.

De trás.

Dentro da alcateia.

Os olhos dela se arregalaram.

— Kael.

A voz saiu baixa.

Tensa.

— O traidor… ele está se movendo agora.

O corpo de Kael ficou mortalmente imóvel.

— Onde?

Liora virou lentamente a cabeça.

Sentiu.

Buscou.

E então—

Seus olhos pararam.

Direto na linha de guerreiros à esquerda.

Um deles evitou olhar para o Alfa.

Só por um segundo.

Mas foi o suficiente.

O coração de Liora disparou.

— Ali.

Kael já estava andando.

Lento.

Silencioso.

Predador.

O guerreiro percebeu tarde demais.

Quando virou—

Os olhos dourados do Alfa já estavam nele.

— Diga — Kael falou baixo demais. — Por que a fronteira está aberta?

O lobo engoliu seco.

— Eu… não sei do que está falando, Alfa.

Mentira.

Liora sentiu imediatamente.

Não como som.

Como vibração errada no ar.

A marca queimou.

O traço prateado brilhou sob a sombra.

Kael deu mais um passo.

— Última chance.

O guerreiro hesitou.

Erro fatal.

Porque nesse segundo…

O cheiro mudou.

Medo.

Culpa.

Traição confirmada.

O rosnado que saiu do peito de Kael não era humano.

E Liora soube.

As linhas da guerra…

Tinham acabado de ser cruzadas.

 

 

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