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CAPÍTULO 8 – O PREÇO DA VERDADE

O silêncio depois da acusação foi brutal.

O guerreiro não correu.

Não atacou.

Mas o cheiro de medo que escapou dele se espalhou pelo ar como sangue fresco.

Liora sentiu primeiro.

A vibração errada.

O pulso descompassado.

A mentira ainda viva.

Kael parou a poucos passos do homem.

A presença do Alfa pressionava o espaço ao redor como uma força física.

— Última vez — a voz dele saiu baixa, mortal. — Quem abriu a fronteira?

O lobo engoliu seco.

Os olhos passaram rapidamente por Liora.

Erro.

Grave.

Porque Kael percebeu.

E o rosnado que vibrou no peito dele fez vários guerreiros ao redor ficarem tensos.

— Eu não—

O estalo veio antes da frase terminar.

Kael se moveu rápido demais para olhos humanos.

Uma mão fechou no colarinho do traidor, levantando-o do chão com facilidade brutal.

— Mentir para mim — Kael disse, os olhos dourados brilhando com ameaça pura — é escolher como quer morrer.

O ar ficou pesado.

Carregado.

Mas Liora…

Sentiu algo diferente.

Algo errado.

A marca em seu pulso queimou.

Não com a fúria de antes.

Com aviso.

Seus olhos se estreitaram.

— Kael… espera.

O Alfa não soltou o homem.

Mas olhou para ela.

A tensão entre eles vibrava viva.

— Ele não está sozinho — Liora disse.

O silêncio caiu como pedra.

O guerreiro congelou.

Por meio segundo.

Foi o suficiente.

Kael percebeu.

O aperto da mão dele aumentou.

— Quantos?

O traidor ficou pálido.

Respiração irregular.

Coração disparado.

Mas ficou em silêncio.

Erro fatal número dois.

O rosnado que saiu de Kael foi mais profundo agora.

Mais próximo do lobo.

— Fale.

Nada.

Só medo.

Suor.

Mentira.

E então—

Liora sentiu.

Como uma corda invisível sendo puxada.

De longe.

Mas conectada.

Os olhos dela se arregalaram.

— Ele está tentando fugir.

Kael virou a cabeça num movimento brusco.

— Onde?

Liora já estava se movendo.

— Sul. Pela linha do rio.

Ela não esperou permissão.

Correu.

E dessa vez…

Kael não tentou impedir.

Porque ele também sentiu.

O território reagindo.

Como se as próprias raízes da floresta estivessem sussurrando.

Eles atravessaram o pátio em segundos.

O vento cortava o rosto de Liora.

Mas agora…

Não incomodava.

Seu corpo estava diferente.

Mais alinhado.

Mais vivo.

Mais…

Predador.

Ela parou abruptamente na borda das árvores.

Respirou fundo.

Sentiu.

Ali.

Movimento rápido.

Tentando ser silencioso.

Tentando não ser visto.

Tarde demais.

Os olhos de Liora escureceram levemente.

— Eu vejo você.

O homem saiu das sombras.

Devagar.

Calculado.

Não era um guerreiro comum.

Postura relaxada demais.

Confiança demais.

Perigo demais.

Kael chegou meio segundo depois.

E quando viu quem era—

O ar ao redor dele congelou.

— …Toren.

O nome caiu pesado.

Reconhecimento.

Traição mais profunda.

Os olhos de Toren brilharam com algo quase divertido.

— Demorou mais do que eu esperava, Alfa.

O rosnado de Kael foi puro veneno.

— Você abriu meu território.

Toren inclinou levemente a cabeça.

— Eu abri… uma porta.

Antes que Kael avançasse—

Liora sentiu.

Puxão violento no vínculo.

Os olhos dela se arregalaram.

— Ele quer te provocar — ela disse rápido.

Mas já era tarde.

Porque Toren sorriu.

Lento.

Provocador.

— Rowan manda lembranças.

O mundo explodiu.

Kael avançou.

Rápido.

Letal.

Mas Toren estava esperando.

Ele recuou no último segundo—

E algo no ar mudou.

Liora sentiu como um choque.

Energia.

Escura.

Errada.

A marca queimou violentamente.

— Kael, cuidado!

Tarde.

Os dois colidiram com força brutal.

O impacto sacudiu o chão.

Garras surgiram.

Presas à mostra.

O lobo de Kael estava perigosamente perto da superfície.

Mas Toren…

Não estava lutando para vencer.

Estava lutando para ganhar tempo.

Os olhos de Liora se arregalaram.

— Ele não quer ganhar!

Kael percebeu no mesmo segundo.

Mas tarde demais.

Porque Toren sorriu.

Sangue no canto da boca.

— Agora.

O mundo pareceu prender a respiração.

E então—

A floresta respondeu.

Uivos.

Múltiplos.

Muito perto.

Muito organizados.

O sangue de Liora gelou.

— Rowan.

Eles não estavam testando mais.

Estavam entrando.

O território tinha sido oficialmente violado.

Kael se afastou de Toren num movimento brusco.

Os olhos dele estavam selvagens agora.

Calculando rápido.

— Recuem para a linha interna! — ele rugiu para os guerreiros atrás.

Mas Liora…

Não conseguia tirar os olhos de Toren.

Porque ele não parecia preocupado.

Parecia…

Satisfeito.

E então ela sentiu.

A marca queimou.

O traço prateado pulsou forte.

Muito forte.

Forte demais.

Seus joelhos quase cederam.

Kael virou na mesma hora.

— Liora!

Ela levou a mão ao pulso.

A energia subia pelo braço como fogo líquido.

Mas não era só dor.

Era…

Resposta.

Algo dentro dela estava acordando mais rápido do que deveria.

Os olhos dela escureceram.

Mais fundo.

Mais animal.

Mais antigo.

Toren viu.

E pela primeira vez…

O sorriso dele vacilou.

— Então é verdade… — ele murmurou.

Erro.

Grave.

Porque Kael ouviu.

E o olhar que ele lançou para Toren prometia morte lenta.

Mas antes que qualquer um se movesse—

A linha da floresta se abriu.

E eles apareceram.

Lobos de Rowan.

Olhos brilhando na penumbra.

Postura de caça.

O ar ficou elétrico.

A guerra tinha começado.

Mas Liora sabia.

Sentia nos ossos.

No sangue.

Na marca queimando sob a pele.

Isso…

Ainda não era o verdadeiro ataque.

Era só o primeiro movimento do jogo.

E, pela forma como o traço prateado pulsava…

Ela estava bem no centro dele.

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