Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla não vacila. Gosto disso. A maioria das pessoas desvia o olhar quando eu decido focar toda a minha atenção nelas, mas ela sustenta o escrutínio como se estivesse acostumada a lidar com feras muito piores do que eu.
Meus olhos percorrem seu rosto, descendo pela linha da mandíbula até travarem nos seus. A luz do bar reflete nas lantejoulas do vestido, jogando faíscas prateadas contra a minha pele, mas é o brilho de desafio nas suas pupilas que realmente me prende.
"Essa é uma pergunta perigosa para se fazer a um homem como eu" respondo, minha voz baixando para um tom perigosamente suave, enquanto reduzo os últimos centímetros que nos separam. "Porque se eu responder que sim, você não terá mais para onde fugir. E eu não sou o tipo de homem que coleciona troféus de participação."
Levo minha mão livre ao balcão, cercando e prendendo-a entre o mármore e o meu corpo, sem chegar a tocar sua pele, mas deixando que ela sinta o calor emanando do meu peito. Sinto o cheiro do seu hálito com toque de hortelã e a fragrância floral que sobe do seu pescoço.
"Você tem essa pose de quem é inalcançável, mas aqui, sob essas luzes..." Analiso cada microexpressão, procurando a menor rachadura na sua armadura de autoconfiança. "Vejo que você é feita de carne, osso e uma audácia que me dá vontade de descobrir exatamente o que acontece quando alguém finalmente te faz perder o fôlego."
Aperto o maxilar, a possessividade rugindo dentro de mim. Maldita mulher. Ela me olha como se eu fosse apenas mais um, e isso me deixa possesso e fascinado ao mesmo tempo.
"Quer saber se vale o esforço?" Inclino o rosto, meus lábios a milímetros dos seus, sentindo a sua respiração se chocar contra a minha.
"Eu ainda não decidi se você é um prêmio... ou uma punição que eu estou disposto a aceitar. Mas uma coisa eu garanto: eu nunca começo um jogo que não pretendo vencer. E agora que você se virou de frente, o tabuleiro é meu."
Minha mão sobe, meus dedos roçando de leve, quase como um acidente, na mecha de cabelo que cai perto do rosto, apenas para sentir a textura da sua pele.
"O que você vai fazer agora, Liebling (Querida)? Beber seu drink e fugir de novo, ou vai me mostrar se esse seu olhar de fogo sustenta o incêndio que você acabou de começar?"
O modo como ela me encara, sem vacilar, enquanto desliza o canudo entre os lábios e bebe o drink com uma lentidão calculada, é uma declaração de guerra. Ela sabe exatamente o que está fazendo. Cada centímetro da sua postura grita que ela não tem medo do fogo, e eu estou começando a queimar. Sinto o meu pulso latejar sob o punho da camisa branca. O contraste entre a insolência dela e a elegância desse lugar me deixa possesso. Eu deveria me afastar, mas o cheiro da pele dela e esse olhar que me mede de cima a baixo me prendem aqui mais do que qualquer contrato de bilhões de euros.
"Você gosta de brincar com o perigo, não gosta?" Minha voz é um rosnado baixo, quase abafado pela música que pulsa ao redor.
Reduzo a distância até que meu peito quase roce no dela. Minha mão sobe, lenta, e eu envolvo o seu pescoço com os dedos, sem apertar, apenas deixando que ela sinta o calor da minha palma contra a sua pele. Meu polegar repousa exatamente sobre a sua carótida, sentindo o ritmo do seu coração.
"Um prêmio?" Repito a sua pergunta, inclinando o rosto até que minha boca fique a milímetros da sua orelha, onde o calor é mais intenso. "Prêmios são expostos em prateleiras, meine Liebe (meu amor). Eu prefiro o que é selvagem, o que não se deixa capturar facilmente. Mas não se engane... eu não tenho o hábito de perder o que decido que é meu."
Aperto levemente os dedos, sentindo a textura macia da sua pele contra a minha mão, e volto a olhar diretamente nos seus olhos, a uma distância perigosa.
"Você está me dando o seu melhor olhar de 'não me importo', mas o seu corpo está me dizendo algo completamente diferente." Meus olhos descem para a sua boca, umedecida pelo mojito, e o meu autocontrole range como metal retorcido.
"Me diz... o que acontece se eu decidir que a brincadeira acabou e que eu quero saber o gosto dessa sua boca atrevida agora mesmo? Você continuaria bebendo esse drink com tanta calma ou admitiria que finalmente encontrou alguém que pode te tirar do sério?"
Ela desvia o olhar para a minha boca e depois para meus olhos, com uma lentidão torturante.
"Por que você não tenta e descobre?"
Sinto meu sangue entrar em ebulição. Ela não está apenas jogando; ela está derramando gasolina no incêndio e me entregando o fósforo com um sorriso no rosto.
Verfluchte (Filha da Puta)!
Eu solto um riso baixo, quase um rosnado, que reverbera contra a pele dela. Meus dedos, que já cercavam o seu pescoço, deslizam para cima, emoldurando o seu rosto com uma firmeza que não admite fuga. Meu polegar pressiona levemente o seu lábio inferior, sentindo a umidade do drink que ela acabou de tomar e a maciez insultuosa da sua boca.
"Você não faz ideia do erro que acabou de cometer ao me dar essa permissão" sussurro, minha voz agora uma ameaça sombria e carregada de desejo. "Eu não sou um homem de 'tentar', querida. Eu sou um homem de resultados. E quando eu decido descobrir algo, eu vou até o fim, até que não sobre um único segredo guardado sob essa sua pose de mulher inabalável."
Reduzo a distância final. O calor entre nossos corpos é sufocante, uma barreira de eletricidade que reverbera a cada respiração compartilhada. Meus olhos descem para a sua boca novamente como alguém que está prestes a tomar o que lhe foi oferecido.
"Se eu começar, não vou parar até que você esqueça o próprio nome e implore para que eu não te solte nunca mais" digo, sentindo o perfume do seu hálito de hortelã misturado à luxúria que emana dela. "Ainda quer que eu tente, ou sua coragem acaba onde o meu domínio começa?"
Não espero por uma resposta verbal. Inclino a cabeça, meus lábios roçando os dela em um contato milimétrico, apenas uma promessa do que está por vir, sentindo a sua respiração travar contra a minha. Quero sentir a sua rendição, quero sentir o momento exato em que esse seu olhar de fogo se transforma em pura necessidade.
Ela me encara, imóvel, como se estivesse me desafiando a dar o passo final para o abismo.
Roço meus lábios nos dela com a leveza de uma pluma, mas a intenção por trás do gesto é pesada como chumbo. Sinto a textura macia da sua boca, o calor úmido que escapa entre seus dentes e o leve tremor da sua respiração que agora se funde à minha. Meu polegar, ainda pressionando seu lábio inferior, desliza para dentro da sua boca apenas o suficiente para sentir a ponta da sua língua.
"Você é muito boa nisso..." sussurro, minha voz saindo tão grave que sinto meu próprio peito vibrar contra o dela. "Mas eu não aceito empates, e essa sua imobilidade está prestes a desmoronar."
Não aguento mais essa distância insultuosa. Minha mão, que emoldurava seu rosto, desliza para a sua nuca, os dedos se enroscando no seu cabelo com uma força possessiva. Eu puxo sua cabeça levemente para trás, forçando-a a expor a curva do pescoço enquanto mantenho nossos olhos travados.
"Eu disse que não sou um homem de tentar" digo, as palavras roçando a sua boca antes de eu finalmente acabar com o espaço entre nós.
Então eu a beijo.
Não é um beijo cortês de Mônaco. É um beijo de Düsseldorf, frio na estratégia, mas incandescente na execução. Minha língua invade a sua boca com uma autoridade que não pede licença, reivindicando o território como se eu tivesse sido dono dele a vida inteira. Quero sentir o gosto do mojito, da hortelã e da resistência dela se transformando em rendição.
Eu esperava resistência, talvez um jogo de gato e rato mais longo, mas o modo como ela me devolve o beijo, com uma fome que rivaliza com a minha, é como um curto-circuito no meu sistema de controle.
Minha mente explode quando sinto a sua resposta.
Minha outra mão desce do balcão e aperta sua cintura, puxando ela contra o meu terno, querendo que ela sinta cada músculo tenso do meu corpo, querendo que ela saiba que, a partir deste momento, as regras do jogo mudaram. E eu sou quem dá as cartas.
Nossas línguas se encontram em uma batalha de domínio onde nenhum de nós parece disposto a ceder um centímetro. O gosto do mojito e da hortelã agora é apenas um detalhe sob o calor avassalador da sua boca.
Sinto o meu autocontrole se estilhaçar como cristal sob pressão. Eu a aperto contra o balcão, minhas mãos agindo por puro instinto possessivo; uma delas se enterra no seu cabelo, puxando levemente para manter o ângulo do beijo, enquanto a outra desce pela curva das suas costas, sentindo o relevo das lantejoulas até parar na base da sua coluna, prensando corpo dela contra o meu de forma que ela sinta cada centímetro da minha urgência.
O som ao redor desaparece. Não há mais música, não há mais multidão. Existe apenas a pressão dos nossos lábios e a audácia dessa entrega que me deixa possesso. Ela não beija como quem quer ser conquistada; ela beija como quem está tomando o que quer.
Gott im Himmel (Deus do Céu)... essa mulher é um perigo público.
Eu me afasto apenas um centímetro, o suficiente para recuperar o oxigênio, mas sem soltar o seu rosto. Minha respiração está pesada, errática, e meus olhos fixaram nos dela, escuros de puro desejo. O batom está borrado, e o brilho de desafio no olhar dela agora está misturado com uma luxúria que eu pretendo explorar até o fim.
"Você não faz ideia do que acabou de despertar" sussurro contra os seus lábios, minha voz saindo como um rosnado baixo e rouco. "Hoje vim aqui apenas para observar, mas agora eu só consigo pensar em como essa pista de dança se tornou pequena demais para o que eu quero fazer com você."
Minha mão se fecha na nuca dela com uma firmeza soberana, uma reivindicação silenciosa que não aceita objeções. Lanço um olhar rápido para o corredor lateral, onde as cortinas de veludo negro escondem os camarotes privados do Le Masque.
"Não vamos resolver isso aqui no balcão, à vista de todos" digo, deslizando minha mão do cabelo para segurar seu pulso, puxando-a levemente para mim. "Existe uma área reservada no andar superior. Veludo, sombras e a discrição que essa sua boca atrevida exige para ser devidamente silenciada."
Meus olhos descem para o decote e voltam para os olhos dela, carregados de uma promessa sombria.
"Venha comigo. Agora. Quero ver se você continua sendo tão corajosa quando não houver nenhuma platéia."







