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Capítulo 03 — Nada Me Impede

Esse sorriso que ela deu... essa curva cínica e carregada de promessas nos lábios dela é a resposta mais perigosa que ela poderia me dar. É um xeque-mate silencioso, e eu sinto uma descarga de adrenalina percorrer minha espinha como se eu estivesse fechando o maior contrato da minha vida sob risco total.

Não espero por uma confirmação verbal. Eu não preciso dela. O modo como ela  me olha, com esse brilho debochado e quente por trás da máscara, é a única autorização que eu pretendo levar em conta.

Seguro sua mão com uma firmeza possessiva, entrelaçando meus dedos nos dela e começo a guiá-la para longe do balcão. O barman mal termina de limpar o mármore quando eu a puxo em direção às sombras. Atravessamos a lateral da pista, meu corpo abrindo caminho entre os outros mascarados como se eu fosse o dono deste lugar, e, naquele momento, eu me sinto exatamente assim.

Subimos os degraus de mármore escuro que levam ao segundo nível, onde a luz neon é substituída por um âmbar difuso e pecaminoso. O som do clube chega aqui em cima como uma pulsação abafada, um batimento cardíaco constante que dita o ritmo da minha urgência.

Paro diante de uma pesada cortina de veludo negro. Antes de abrir, eu a prenso contra a parede de pedra fria do corredor, cercando seu corpo com o meu. Minha mão livre sobe para o seu rosto, o polegar pressionando sua bochecha com uma força contida.

“Você acha que isso é um jogo engraçado, não é?” sussurro, meu rosto a milímetros do dela, meu hálito quente contra a sua pele. “Pois saiba que eu não sou de brincar. Quando entrarmos por aquela cortina, o mundo lá fora deixa de existir. Só vai sobrar você, eu e o que eu pretendo fazer com esse seu sorriso.”

Puxo a cortina, revelando o camarote privado: um refúgio de sofisticação sombria, com poltronas de couro capitonê, luzes baixas e uma garrafa de champagne Cristal intocada no balde de gelo. Entro com ela e fecho a cortina atrás de nós, mergulhando o ambiente em uma penumbra cúmplice.

Solto sua mão e caminho até o centro do pequeno espaço, tirando a minha máscara e jogando-a sobre a mesa, revelando meu rosto, meu maxilar travado e o olhar fixo nela, agora totalmente sem filtros.

“Tire a máscara” ordeno, minha voz rouca, carregada de uma autoridade que não admite réplicas. “Quero ver cada detalhe da sua expressão quando eu finalmente te colocar no lugar onde você pertence.”

O silêncio no camarote se torna denso, quase sólido, enquanto observo o movimento dos seus dedos desatando o nó da máscara. É uma tortura lenta, uma execução calculada da minha paciência, e eu não desvio o olhar por um segundo sequer.

Quando a máscara finalmente cai e ela revela o rosto, sinto o ar faltar nos meus pulmões por um milésimo de segundo, uma falha no meu sistema nervoso que eu não permito que transpareça.

Verdammt (Merda)! Ela é um soco no estômago.

Os traços têm uma harmonia selvagem, uma beleza que não é estática como as estátuas que coleciono em Frankfurt, mas vibrante, insolente. Seus olhos sustentam os meus com uma intensidade que beira a agressividade, e essa boca... agora que posso vê-la sem o filtro da máscara, ela parece ainda mais um convite ao desastre. 

Ela é exatamente o tipo de problema que eu deveria evitar se quisesse manter a minha sanidade, mas a verdade é que nunca me senti tão vivo.

Dou um passo à frente, fechando a distância até que o calor do corpo dela comece a aquecer o tecido do meu colete. Minha mão sobe, lenta, e eu toco a sua mandíbula com as costas dos dedos, traçando o contorno do seu rosto com uma possessividade que não tento mais esconder.

“Você é um insulto à minha lógica” sussurro, minha voz saindo carregada de um desejo que beira a raiva. “Eu passei a noite tentando decifrar o que havia por trás daquela máscara, e agora que vejo... percebo que o perigo é muito maior do que eu projetei.”

Aperto levemente o seu queixo, forçando-a a erguer um pouco mais o rosto. Meus olhos descem para a sua boca e voltam para os seus olhos, agora com uma fixação predatória.

“O que você faz comigo com apenas um olhar é algo que eu vou te fazer pagar caro, morena. Ninguém entra no meu radar e sai ilesa. Especialmente não com esse sorriso que diz que você sabe exatamente o poder que tem.”

Inclino-me, deixando meu hálito quente roçar a pele dela antes de falar rente ao seu ouvido:

“Agora que não temos mais nada entre nós... o que te impede de admitir que você me quer tanto quanto eu quero destruir essa sua pose de mulher inabalável?”

“Nada me impede.”

Sinto um tremor percorrer meus músculos, uma tensão que não é de hesitação, mas de pura prontidão. Esse ‘nada me impede’, sussurrado com essa proximidade insultuosa, é o xeque-mate que eu estava esperando.

A temperatura no camarote parece subir dez graus em um segundo. O calor da respiração dela contra a minha pele atua como um rastilho de pólvora, e eu sou o barril de explosivos pronto para detonar.

“Ótimo” respondo, minha voz agora nada mais do que um rosnado baixo e possessivo. “Adoro quando não há obstáculos entre o que eu quero e o que eu pego.”

Minha mão, que antes apenas tocava seu rosto, agora se fecha com mais força na nuca, os dedos se enroscando no cabelo dela enquanto eu a puxo para mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda pudesse existir entre nós. Sinto a pressão dos seios contra o meu peito, a batida acelerada do seu coração fundindo-se à minha.

Eu não espero mais. Não há mais necessidade de palavras ou jogos mentais.

Ataco sua boca com uma sede que me assusta. É um beijo faminto, urgente, onde minha língua não pede permissão, ela invade, domina e reivindica. Minha outra mão desce com força para a sua cintura, apertando a carne macia sob o tecido prateado, puxando quadril dela contra o meu com uma agressividade que deixa claro exatamente o quanto ela me deixou fora de controle.

Eu a guio em direção ao sofá de couro capitonê, sem interromper o beijo, sentindo o gosto metálico da luxúria e o doce do drink. Empurro levemente até que os joelhos dela toquem a borda do estofado e ela se sente, mas eu não me afasto. Fico entre suas pernas, minhas mãos agora subindo pelas suas coxas, sentindo a textura fria das lantejoulas e o calor absurdo da sua pele logo abaixo.

“Você queria descobrir se valia o esforço?” pergunto entre beijos vorazes no seu pescoço, minha boca descendo para a linha do decote enquanto minhas mãos começam a subir o vestido. “Agora você vai descobrir que eu sou o pior tipo de vício que você já experimentou, morena.”

Mordo levemente a pele macia do seu ombro, deixando uma marca que será a minha assinatura nesta noite.

“Me diz…” sussurro, minha voz vibrando contra o seu colo. “O que essa sua boca atrevida vai pedir quando eu finalmente perder o resto da minha civilidade com você?”

“Vai pedir mais.”

A música do clube lá fora parece apenas um eco distante, uma batida abafada que empalidece diante do som do sussurro Vai pedir mais” e sua respiração curta. Meus dedos sobem mais pela sua coxa, até que eu decido que já esperei demais.

“Peça” ordeno, minha voz carregada de uma autoridade sombria, enquanto mordo o lóbulo da sua orelha com uma força que beira o castigo. “Peça com todas as letras o que você quer que eu faça com essa sua boca atrevida antes de eu perder o juízo de vez.”

Com um movimento decidido e brusco, puxo o tecido do vestido para cima, querendo sentir a barreira da lingerie dela antes de removê-la. Mas minha mão para no ar e meu coração dá um solavanco violento contra as costelas quando a seda sobe.

Meus olhos se fixam no que acabei de revelar.

Nada. Não há seda, não há renda, não há barreira alguma.

Ela está completamente nua sob o vestido. A visão da pele impecavelmente depilada, revelando apenas um traço estreito e provocante de pelos escuros na região pubiana, é o golpe final na minha sanidade.

O contraste daquela vulnerabilidade despudorada com a pose de mulher inabalável me deixa possesso. Ela veio para este clube pronta para o caos, e o caos sou eu.

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