Por alguns minutos, ficamos em silêncio, aquele tipo de silêncio que antecede verdades que não pedem permissão.
Do lado de fora, o céu parecia uma estrada sem bordas. A sensação de estar suspensa entre dois lugares me lembrava exatamente onde eu vivia nos últimos dias: num meio-termo entre o que eu tinha sido e o que estavam me forçando a me tornar.
Foi Beatrice quem quebrou o silêncio.
— Damian não me contou muitos detalhes. — disse, com naturalidade. — Só falou que sua irmã estava doente e que precisava de um tratamento específico em Milão. E que… — ela sorriu, quase orgulhosa — ele faria o que fosse necessário.
Minha respiração falhou por um segundo.
Olhei para ela.
Ela não fazia ideia do que estava por trás de tudo.
Respirei fundo antes de responder. Era estranho perceber como algumas dores permanecem vivas, mesmo quando a gente tenta enterrá-las.
— Há alguns meses… — comecei, sentindo a voz arranhar por dentro — Sofia estava na escola. Foi um dia comum, até que a professora me l