“Algumas casas só se tornam lares, quando alguém decide ficar.”
Elena sempre acreditou que lares eram feitos de paredes. Mas naquela noite, antes mesmo de cruzar o corredor, ela começaria a entender que alguns lugares só se tornam casa quando alguém escolhe cuidar mesmo sem saber exatamente como.
Elena se afastou antes que o impulso a traísse, antes que ela se inclinasse para encostar a boca na dele como o corpo pedia, e seguiu apressada pelo corredor, guiada pelo som das risadas e pela alegria desgovernada de Sofia.
O grito estridente veio antes mesmo de Elena chegar.
— AAAAAAAAH!
Era um grito de descoberta, de encanto absoluto, de vitória.
Elena virou a curva do corredor e parou na porta do quarto. E por um segundo… ela não respirou. O quarto de Sofia era um universo.
As paredes estavam pintadas como um vale encantado, com colinas suaves e árvores iluminadas por pequenos pontos dourados que pareciam vagalumes presos na tinta. Havia um céu azul-claro em degradê que terminava num pôr