Capítulo 2

 

Aquelas palavras atingiram Fiorella como um soco direto no estômago. Seu corpo inteiro se contraiu; sua mente apagou por um segundo interminável.

O filho sempre fora o retrato da saúde. Como ele poderia, do nada, estar enfrentando uma suspeita de leucemia?

Ela permaneceu estática na cadeira, as mãos e os pés congelados, o labirinto da mente girando até que o chão parecesse sumir sob seus pés. Quando o médico finalmente a trouxe de volta à realidade, o instinto materno assumiu o controle. Ela se levantou imediatamente. Não perderia mais um segundo ali. Levaria Ben para outro hospital.

O destino escolhido foi o Hospital Materno-Infantil, o local onde Ben havia nascido. Lá, ela conhecia o corpo clínico e, acima de tudo, contava com sua maior fortaleza: Maira Baldi, sua melhor amiga, que trabalhava como obstetra na instituição.

No caminho, o celular no console do carro vibrou. Jackie insistia. Tomada por uma repulsa avassaladora, Fiorella sequer hesitou: bloqueou o número dele nas ligações e em todos os aplicativos de mensagens. Ele não merecia saber de mais nada.

Quando o carro estacionou na entrada da emergência, Maira já a esperava na calçada.

As duas haviam trocado mensagens desesperadas durante o trajeto. Ao ver o estado de Fiorella, Maira sentiu a garganta dar um nó. Ela puxou a amiga para um abraço apertado, sustentando o peso de seu corpo trêmulo.

"Não se desespere ainda, Fiore", sussurrou Maira, a voz firme tentando conter o próprio medo. "Exames laboratoriais de plantão erram. Vamos interná-lo, repetir tudo com calma e esperar o resultado da biópsia antes de tirar qualquer conclusão."

Aquelas palavras, ditas com a autoridade de uma médica e o carinho de uma irmã, permitiram que Fiorella finalmente soltasse o ar que prendia nos pulmões.

"Madrinha, você está de folga hoje?" Ben olhou para Maira com seus olhinhos brilhantes e curiosos.

Maira agachou-se instantaneamente, acariciando as bochechas macias do afilhado. Uma pontada de tristeza rasgou seu peito, mas ela a camuflou com seu melhor sorriso de médica.

"A madrinha está trabalhando, meu amor. Mas a saudade era tanta que eu precisei dar uma fugidinha para ver o meu príncipe."

"O Ben também estava com muita saudade!" O pequeno sorriu, exibindo uma lábia que sempre derretia a todos.

Como a ala obstétrica estava caótica naquele dia, Maira agilizou a burocracia da internação, acomodou os dois em uma ala reservada e precisou correr de volta ao plantão.

Fiorella terminou de arrumar Ben na cama da enfermaria e, antes mesmo que pudesse se sentar, o celular tocou na bolsa. Um número familiar.

Sua mãe.

"Alô, mãe..."

"Fiorella, pelo amor de Deus, o que aconteceu com o Ben?" A voz da Sra. Cecília veio carregada de aflição do outro lado da linha. "O Jackie ligou desesperado dizendo que o menino foi parar no hospital ontem à noite e que você sumiu, bloqueou ele de tudo. Vocês brigaram de novo?"

A menção ao nome do canalha fez o sangue de Fiorella ferver. Uma onda de fúria cega subiu por seu peito. Segurando o aparelho com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos, ela saiu da enfermaria a passos rápidos, querendo distância do filho para que ele não a ouvisse perder o controle.

"Aquele sem-vergonha do Jackie ainda teve a audácia de ligar para a senhora para se fazer de vítima?!" ela sibilou no corredor vazio.

Enquanto isso, na cama da enfermaria, Ben esperou pacientemente. Os minutos se arrastaram e, ao olhar ao redor e notar o quarto silencioso, a solidão o assustou. Ele resolveu procurar pela mãe.

Seus pezinhos miúdos deslizaram pelo corredor longo e higienizado. Ele caminhou até o final do bloco, mas a silhueta de Fiorella não estava em lugar nenhum.

Decidido a voltar, o garotinho girou nos calcanhares. Mas ali, todas as portas eram brancas, todas as luzes pareciam iguais. O labirinto do hospital o engoliu. Ele escolheu uma direção por puro instinto.

E se perdeu completamente.

O medo fincou as garras em seu peito. Seus lábios começaram a tremer e o choro contido começou a transbordar.

"Mamãe..."

No final daquele mesmo corredor, a imponente porta de uma suíte VIP de internação se abriu. Dois homens de terno saíram, escoltados pelo diretor do hospital.

"Sr. Vans, o estado da sua mãe foi gravemente agravado pelo luto", o médico explicou em tom baixo e respeitoso a Jean Carlo Vans, o líder da poderosa família Vans, que caminhava à frente. "Perder um filho é uma dor que dilacera qualquer mãe. O coração dela simplesmente não aguentou."

Jean Carlo mantinha a mandíbula cerrada, a expressão esculpida em pedra. Seu terno preto sob medida acentuava sua postura rígida e aristocrática — uma presença tão imponente que intimidava qualquer um ao redor sem que ele precisasse pronunciar uma única palavra.

"Vou transferir meus despachos para cá. Ficarei ao lado dela durante todo o período", Jean Carlo respondeu, a voz grave e controlada, embora seus olhos habitualmente severos carregassem o peso de uma exaustão profunda.

A família Vans, o clã mais influente de Almada, acabara de enterrar seu caçula. Yan Vans, chefe de uma estação de bombeiros, havia sacrificado a própria vida em uma explosão para salvar seus homens dez dias atrás. A tragédia destruiu a saúde da matriarca, que colapsou após o funeral e precisou ser internada às pressas.

Jean Carlo, por mais implacável e racional que fosse no mundo corporativo, sentia o fardo de carregar o teto da família desabando sobre suas costas.

Os três homens viraram a esquina do corredor principal quando o médico parou, avistando a pequena figura chorando sozinha próximo aos elevadores.

"De quem é essa criança? Onde estão os responsáveis?"

O médico adiantou-se e agachou-se diante do menino. "Ei, garotinho. Onde estão o seu papai e a sua mamãe?"

Ben fez um beiço dramático, as lágrimas escorrendo por suas bochechas. "Eu... eu só saí para procurar minha mamãe... buááá..."

Jean Carlo fez um movimento para continuar caminhando, querendo encerrar a visita, quando seu assistente de confiança, Júlio, travou no lugar. Os olhos do assistente se arregalaram em choque.

"Chefe... olhe para esse menino. Ele... ele se parece com o senhor. É igualzinho!"

Jean Carlo parou.

Lentamente, ele virou a cabeça. Seu olhar afiado e frio pousou sobre a face da criança.

O silêncio caiu sobre o corredor como uma bigorna. A expressão gélida de Jean Carlo tencionou-se ainda mais.

O médico, erguendo os olhos do menino para o empresário, empalideceu diante da semelhança assustadora. "É... é verdade. As sobrancelhas marcadas, o desenho dos olhos, os traços fortes... são idênticos aos do Sr. Vans."

Jean Carlo desviou os olhos com desdém, a voz cortante como navalha:

"Se os seus olhos não servem para avaliar a realidade, Júlio, sugiro que os doe para a ala de transplantes."

O médico, ainda em transe, murmurou para si mesmo: "Não, eu não posso estar louco... parece até uma cópia... um pedaço do próprio Sr. Vans..."

"Hum!" Júlio percebeu o perigo daquela linha de pensamento e cortou o médico imediatamente. "Doutor, meça suas palavras. Nosso chefe sempre levou uma vida impecável, regrada e está solteiro. Não fale absurdos."

"Ah... sim, claro! Com certeza!" O médico piscou, despertando do transe e limpando o suor da testa com um sorriso amarelo. "Peço imensas desculpas, Sr. Vans. Foi um comentário imaturo e precipitado da minha parte."

Ben, intrigado com a tensão, parou de chorar. Ele observava os três adultos com aquela percepção aguçada de criança que sabe que é o centro da conversa, mesmo sem entender os termos.

Ignorando o médico que ainda estava agachado à sua frente, Ben deu um passo à frente, olhou diretamente para Jean Carlo e pediu com uma polidez surpreendente:

"Tio, o senhor pode me emprestar o seu telefone por um minutinho? Eu preciso ligar para a minha mamãe."

Jean Carlo, que já estava se virando para partir, estancou. Ele olhou para baixo, encarando o garotinho audacioso.

O médico, tentando aliviar o clima, puxou o próprio aparelho rapidamente. "Aqui, meu querido, pode usar o meu!"

Erguendo-se, o médico fez uma reverência cortês para o bilionário. "Sr. Vans, o senhor é um homem ocupado, não perca seu tempo. Eu resolvo isso e localizo a mãe da criança."

Ben pegou o celular do médico. Enquanto seus dedinhos rápidos começavam a discar o número decorado de Fiorella, ele resmungou alto o suficiente para que o eco do corredor levasse suas palavras perfeitamente até os três homens:

"Humph... que tio mais mão-de-vaca."

Um silêncio sepulcral se instalou.

As reações na ala VIP congelaram. Júlio prendeu a respiração, lançando um olhar aterrorizado de soslaio para o patrão, esperando a tempestade.

Jean Carlo, no entanto, apenas fixou seus olhos enigmáticos no menino por um segundo a mais. Sem alterar uma única linha de sua expressão severa, ele girou sobre os calcanhares e caminhou em direção ao elevador.

Júlio o seguiu a passos rápidos. Enquanto esperavam o indicador do elevador subir, o assistente não conseguiu conter o pensamento que sufocava seu peito:

"Chefe... se aquele menino fosse realmente do seu sangue, seria um milagre. Se a sua mãe soubesse que tem um neto... aposto que a saúde dela se recuperaria no mesmo instante."

O semblante de Jean Carlo mergulhou na escuridão. O irmão mais novo havia partido de forma heroica, mas sem deixar herdeiros, sem deixar uma continuação de sua existência. Esse vazio era o peso que estava matando a matriarca da família Vans.

Plim.

As portas de aço escovado do elevador se abriram. Júlio deu um passo para trás, estendendo o braço para segurar a porta para o chefe — mas, antes que Jean Carlo pudesse entrar, uma mulher desandou de dentro do cubículo metálico como um furacão, em puro desespero.

"Ben... Ben!"

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