Capítulo Quatro — A Caça...

Lorenzo Bianchi

Há quase um mês, vivi um dos momentos mais intensos e avassaladores de toda a minha vida pregressa.

Não vou negar que sempre fui um pegador inveterado, mas, dessa vez, o caçador acabou sendo completamente pego.

O perfume marcante daquela dama misteriosa continuava ali, impregnado na minha pele e torturando a minha memória dia e noite.

Aquela maldita mulher fugiu de mim de forma calculada, antes que eu pudesse ao menos saber o seu nome ou ver o seu rosto.

— Pietro, conseguiu alguma informação relevante sobre a mulher do baile? — perguntei, virando-me abruptamente.

Encarei o meu chefe de segurança com o olhar gélido, sentindo a raiva e a frustração tensionarem cada músculo do meu pescoço.

A lembrança de entrar naquele banheiro e me deparar com a camisinha estourada ainda fazia meu sangue queimar de puro desespero.

Ao sair de lá, após perceber que o preservativo que usei enquanto transávamos havia rompido, a porra do quarto já estava vazia.

O pânico de que ela estivesse carregando um filho meu agora, sem nem saber disso, estava me deixando completamente ensandecido.

Aquela viúva misteriosa carregava o herdeiro dos Bianchi no ventre, e eu precisava encontrá-la a qualquer custo.

— Senhor Bianchi, o que conseguimos coletar até agora foram apenas os vídeos dela saindo do salão — Pietro respondeu, tenso.

O segurança engoliu em seco e gesticulou com as mãos, tentando conter o nervosismo diante do meu claro descontentamento.

— Ela passou pelas câmeras externas correndo, usando a sua máscara de dominó veneziano para cobrir o rosto — completou.

— Essa mulher não pode simplesmente ter sumido no ar como uma assombração, Pietro! — esbravejei, batendo com o punho na mesa.

O estrondo ecoou pela sala da diretoria da Valmont & Co., fazendo o homem dar um passo atrás, visivelmente acuado pela minha fúria.

— Deve existir alguma maneira de encontrá-la, e você vai revirar essa cidade até achar uma pista! — ordenei, apontando o dedo.

Comecei a andar de um lado para o outro pelo escritório amplo, tomado por um nervosismo latente e uma impaciência destrutiva.

Estava sufocado com a incompetência daquelas pessoas que contratamos a peso de ouro para nos garantir segurança máxima.

Como um bando de marmanjos experientes não conseguia descobrir como alguém entra e sai de um evento exclusivo sem sequer se identificar?

Aquela mulher havia invadido o meu espaço, roubado a minha sanidade e sumido com o meu sêmen dentro dela.

Apoiei as duas mãos na mesa de vidro, respirando de forma pesada enquanto o meu lobo interno clamava por caçar aquela intrusa.

​— Acho que encontramos uma forma de descobrir a identidade dela, senhor — Pietro disse, tentando me dar um vislumbre de esperança.

​O segurança deu um passo à frente, ajeitando a postura enquanto tentava suavizar a tensão que dominava a minha sala.

​— Então busque essa informação da forma que for possível, homem! — ordenei, pois não havia outra coisa que eu quisesse mais que encontrar aquela “viúva negra”.

​— Eu quero a porra do nome dessa mulher na minha mesa para ontem — completei, deixando minha voz soar baixa e ameaçadora.

​— Ela deve ter recebido um convite oficial e usado para passar pela portaria principal — explicou ele, de forma rápida.

​— Vamos direto até a organização do evento e faremos uma varredura para ver qual nome consta no convite que ela apresentou na entrada.

​— E por que caralho vocês não fizeram isso antes? — esbravejei, cerrando os punhos enquanto sentia meu sangue ferver.

​— Andem logo com isso e me tragam esse nome de uma vez por todas! — finalizei, apontando em direção à saída.

​Meu chefe de segurança assentiu rapidamente com a cabeça e saiu praticamente correndo da minha sala, batendo a porta atrás de si.

​O sumiço dele me deixou ainda mais ansioso, com o peito subindo e descendo de ansiedade, enquanto a dúvida continuava a martelar a minha sanidade.

​Horas mais tarde, eu continuava trancado no escritório, analisando com irritação alguns gráficos das nossas últimas transações comerciais.

​Foi quando a porta se abriu abruptamente e Pietro entrou na minha sala novamente, respirando de forma um pouco ofegante.

​Dessa vez, ele trazia uma expressão visivelmente animada no rosto, o que me fez deduzir de imediato que ele tinha a resposta que eu tanto exigia.

​— Aqui está, senhor — ele disse, esticando o braço para me entregar um envelope timbrado com a relação oficial de convidados do baile.

​Arranquei o papel da mão dele com violência, rasgando o envelope sem qualquer delicadeza para puxar a folha que estava guardada ali dentro.

​Havia um nome específico grifado em caneta escura na folha, identificando a mulher misteriosa que havia se entregado a mim na escuridão.

​Arregalei os olhos ao focar nas letras, sentindo o ar sumir dos meus pulmões ao ler um nome que eu jamais, em toda a minha vida, imaginei encontrar ali.

​— Não pode ser... — sussurrei, sentindo o chão sumir sob os meus pés enquanto o papel começava a tremer entre os meus dedos.

​— Não pode ser a porra dessa mulher! Isso é impossível! — esbravejei para as paredes, sentindo uma onda de choque percorrer minha espinha.

​— Há algo errado, senhor Bianchi? — Pietro perguntou de imediato, dando um passo à frente com uma expressão totalmente apreensiva.

​Eu, que ingenuamente achava que descobrindo a identidade daquela intrusa sentiria um alívio imediato, fui atingido por uma frustração violenta.

​— Antonella Russo... — murmurei para mim mesmo, a voz saindo como um rosnado preso na garganta ao ler o nome impresso naquela relação.

​A mulher que meus pais estão tentando me obrigar a casar a qualquer custo era a mesma que eu havia fodido contra a parede.

​Senti um nó apertar meu pescoço enquanto uma linha de raciocínio perigosa e sombria começava a tomar forma na minha mente.

​Será que meus pais e os pais dela haviam armado aquele encontro no baile só para me prender de uma vez por todas?

E que tudo o que vivi naquele quarto foi tramado por eles e a Antonella para me obrigar a me aproximar dela?

Meus pais me conhecem e sabem que não recuso um desafio ou um belo rabo de saia me dando sopa. Devem ter dado informações sobre meus hábitos e gostos a ela.

​Depois daquele maldito jantar fracassado na mansão dos Bianchi, fui sufocado por ligações diárias e visitas surpresas deles.

​Eles insistiam de forma doentia, tentando me convencer a ceder ao casamento arranjado para que eu finalmente constituísse uma família e deixasse a vida de “mulherengo”, como me definem.

​E agora? O que caralho eu deveria fazer diante dessa informação que mudava totalmente o rumo do jogo?

​Se aquela vadia mimada fosse realmente a “viúva negra” daquela noite, existia uma chance enorme de ela estar grávida de um herdeiro meu.

​Passei a mão pelos cabelos, puxando os fios com força enquanto sentia a raiva explodir no meu peito com aquela armadilha perfeita.

​Será que ela sabia perfeitamente que era eu ali dentro daquele quarto escuro, entregando-se a mim de propósito?

​Eu precisava descobrir o mais rápido possível se aquilo foi uma armação milimetricamente planejada ou apenas um maldito acaso do destino.

— Obrigado por conseguir essa informação, Pietro — murmurei, sentindo-me desconfortavelmente frustrado.

Apertei o papel grifado com o nome de Antonella entre os dedos, amassando as bordas com uma força desnecessária.

— De agora em diante, eu mesmo prossigo com isso. Se eu precisar de mais alguma coisa, te chamo — concluí, sem olhá-lo.

— Tudo bem, senhor... Estarei no setor de segurança se precisar — Pietro respondeu, curvando levemente a cabeça.

O homem se retirou a passos rápidos e eu fiquei ali, estático, apenas encarando aquela porta de madeira maciça se fechar.

Sentia como se cada estalo da fechadura fosse o som da minha própria vida se trancando em uma prisão sem saída.

De fato, eu não teria para onde fugir se a mimada da Antonella realmente estivesse carregando um filho meu no ventre.

Esse maldito casamento arranjado teria que acontecer por honra, e eu seria definitivamente o homem mais infeliz do mundo.

No final do dia, após passar horas tentando me concentrar em vão nos negócios e relatórios da Valmont & Co., juntei meus papéis.

Terminei o expediente com a cabeça fervendo e tomei uma decisão drástica: iria procurar Antonella Russo imediatamente para tirar aquela história a limpo.

Depois, confrontaria os meus pais. Se eles estiverem envolvidos nisso nossa relação — já conturbada — será quase impossível.

Caminhei até a linha de intercomunicação da minha mesa e apertei o botão com o indicador, a mandíbula travada de nervoso.

— Marcella, consiga o número do celular pessoal da Antonella Russo. Urgente — ordenei à minha assistente, sem dar espaço para questionamentos.

Se era para resolver esse inferno e descobrir se caí em uma armadilha, que fosse feito o mais rápido possível.

Cerca de dez minutos depois, a secretária me entregou o cartão com o número da mulher que poderia mudar drasticamente o rumo da minha vida.

Disquei os dígitos no meu aparelho e levei o celular ao ouvido, andando de um lado para o outro enquanto esperava chamar.

— Antonella? É o Lorenzo Bianchi. Como vai? — disparei assim que a linha completou, mantendo o tom de voz deliberadamente firme.

— Lorenzo! Que surpresa! — a voz dela ecoou do outro lado, aguda e com uma afetação que me causou um arrepio incômodo.

Percebi pelo tom vacilante que ela realmente não esperava a minha ligação após o show que dei no jantar da mansão.

— Que bom que você me ligou, de verdade... — ela continuou, tentando soar descontraída e simpática.

— Pensei em te chamar para jantar hoje à noite. O que acha? — sugeri, embora estivesse completamente contrariado com aquela encenação.

Apoiei a mão livre na cintura, engolindo o orgulho por saber que aquele encontro forçado era um mal estritamente necessário.

— Hoje? Mas... está tão em cima da hora, Lorenzo. São quase dezoito horas — ela ponderou, a hesitação nítida na voz.

Pude imaginar perfeitamente a frustração dela do outro lado da linha por não ter tempo de agendar salão, cabelo, unha e maquiagem.

Aquelas futilidades típicas de mulheres da alta sociedade que só serviam para me fazer perder a paciência.

— Nós precisamos conversar seriamente e eu não queria esperar mais nenhum dia — demonstrei minha impaciência, deixando a voz soar ríspida.

— Tudo bem... Que horas você vem me pegar? — ela cedeu, capturando o tom de urgência ou a minha pouca vontade disfarçada.

— Ainda tenho algumas pendências aqui na empresa para resolver, mas vou pedir ao meu motorista particular para te buscar às vinte e uma horas. Pode ser?

— Claro! Perfeito. Estarei prontíssima às vinte e uma horas — ela respondeu, o entusiasmo agora evidente pelo que achava ser um encontro romântico.

— Então nos vemos logo mais — desliguei o aparelho sem esperar por despedidas longas e o joguei com força sobre a mesa de vidro.

Voltei a me perder em minhas próprias conjecturas sombrias, sentindo o peito oprimido pela raiva latente.

O que seria de mim se aquela garota fútil estivesse mesmo grávida e eu fosse obrigado a me amarrar a ela para sempre?

A vida e o destino não podiam ser tão sacanas a ponto de fazer uma porra dessas comigo.

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