Capítulo Cinco — O Destino...

Diana Cross

As últimas semanas têm sido absurdamente intensas, e sinto a ansiedade corroer cada centímetro do meu peito.

Após fugir daquele baile de máscaras, logo depois de cometer a segunda maior loucura da minha vida, não consegui mais ter um único momento de paz.

O medo constante de ter sido descoberta ou de que alguém pudesse ter me reconhecido naquele ambiente elitista deixou meus nervos totalmente à flor da pele.

Isso sem levar em conta o fato de que as lembranças avassaladoras daquele homem fantasiado de dominó veneziano simplesmente não saíam da minha mente. 

A única lembrança física que tenho dele é a máscara negra dele que peguei ao invés da minha. Seu perfume ainda está lá. Será que ele ainda se lembra de mim?

A forma possessiva e dominante como ele me possuiu naquele quarto escuro continuava gravada na minha memória e, principalmente, no meu próprio corpo.

— Por que você está tão calada hoje, Diana? — a voz de Beatriz quebrou o silêncio tenso do escritório.

Ela baixou os papéis que segurava e me observou com atenção por cima dos seus óculos de grau, estreitando os olhos.

— Você não abriu a boca para falar nada desde que voltou do horário de almoço — comentou ela, apoiando os cotovelos na mesa.

— Ai, Bea... Eu realmente não ando me sentindo muito bem hoje — respondi, massageando minhas têmporas com os dedos trêmulos.

— Acho que comi alguma coisa estragada no restaurante ou estou apenas pegando alguma virose forte — justifiquei, soltando um suspiro pesado.

A verdade era que eu vinha me sentindo extremamente enjoada nas últimas manhãs, sentindo meu corpo pesado e uma fadiga que parecia não ter fim.

Para piorar a minha situação, nas últimas semanas tive que enfrentar várias contrariedades e pressões que minavam minhas forças.

Minha família continuava insistindo de forma sufocante para que eu abandonasse tudo, esquecesse o passado e voltasse imediatamente para a minha cidade natal.

Eles queriam que eu aceitasse o papel de vítima, que me calasse e agisse como uma planta, aceitando a humilhação de cabeça baixa.

Mas eu estava firmemente disposta a suportar esse inferno de viver sozinha aqui em Florença, abrindo mão de todo o conforto e da estrutura que eles podiam oferecer.

Qualquer coisa era infinitamente melhor do que aceitar a hipocrisia deles e abrir mão da minha preciosa dignidade outra vez.

— Você já procurou um médico para ver isso? — Bea perguntou, suavizando o tom de voz e demonstrando uma preocupação genuína.

Ela empurrou a cadeira para trás e deu um passo na minha direção, cruzando os braços enquanto me avaliava de cima a baixo.

— Não brinca com a sua saúde, Diana. Já basta o fato de você viver enfurnada naquele apartamento minúsculo, fugindo de todas as pessoas.

Ela tocou meu ombro com suavidade, apertando de leve em um gesto de puro acolhimento.

— Você não pode continuar se isolando do mundo dessa maneira, querida. A engrenagem não para e a vida continua.

— Eu sei, amiga... Eu sei — murmurei, desviando o olhar para a tela do computador para esconder o brilho das lágrimas que teimavam em surgir.

— Eu posso até ter superado o Andrew, mas a verdade é que ainda não estou nem um pouco preparada para confiar em outra pessoa.

— Foram duas punhaladas profundas, Bea. Duas pessoas em quem eu daria a minha vida e que me destruíram sem piedade — desabafei em um sussurro.

Lembrar de Andrew e da minha antiga melhor amiga juntos na nossa cama só fez o meu enjoo aumentar, trazendo um gosto amargo e ácido à minha boca.

Engoli em seco, forçando meu estômago a se acalmar enquanto sentia uma onda repentina de calor e tontura invadir meu corpo.

Aqueles dois canalhas se mereciam no final das contas, e eu também merecia, mais do que qualquer coisa, encontrar a minha própria felicidade.

Eu só precisava, de verdade, encontrar as forças e a coragem necessárias dentro de mim para conseguir recomeçar do zero.

— Diana! Preciso que você vá agora mesmo até o andar da presidência — a voz do meu chefe cortou o ambiente, fazendo-me dar um sobressalto.

Ele saiu de repente de sua sala com passos rápidos, segurando uma pasta executiva pesada nas mãos e com uma expressão de pura pressa.

— Entregue esses documentos diretamente ao Lorenzo Bianchi. Ele precisa revisar e assinar esse projeto ainda hoje, sem falta — ordenou ele.

O homem jogou o relatório com um baque seco sobre a minha mesa de trabalho, girou nos calcanhares e voltou para a sua sala, batendo a porta.

Olhei para o relógio de pulso e soltei um suspiro pesado de pura frustração, sentindo meus ombros caírem com o desânimo.

Isso eram horas de pedir para entregar documentos de extrema importância? Já eram quase dezoito horas e eu não via a hora de ir para o meu refúgio.

— O pessoal do setor de correspondência e malotes já deve ter ido embora há muito tempo — comentou Bea, olhando-me com pena.

Ela se solidarizou imediatamente com a minha cara de poucos amigos, soltando um meio sorriso de resignação enquanto organizava suas próprias coisas.

— Pelo jeito, terei que subir até o Olimpo corporativo e conhecer pessoalmente o Zeus que rege todo esse império — brinquei, tentando aliviar o desespero.

Peguei a pasta pesada contra o peito e olhei para a minha amiga com uma ponta de curiosidade genuína brilhando nos olhos.

— Será que ele é um daqueles homens de meia-idade, extremamente rabugentos e insuportáveis de lidar? — perguntei, arqueando a sobrancelha.

— Ih, garota! Você vai cair feio do cavalo se pensa isso — Bea deu uma risadinha debochada, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Ela apontou com a caneta para a saída e me deu uma piscadela cúmplice, tentando me dar um pouco de ânimo para enfrentar o chefão.

— Vai logo, leva as suas coisas e, assim que entregar isso na mão dele, já pode ir direto embora para a sua casa.

— Mas me promete uma coisa, Diana: passa antes em um hospital para ver o que é esse seu mal-estar constante — completou ela, séria.

Arrumo minhas coisas na bolsa com pressa, coloco o casaco e me despeço da minha única e fiel amiga desde que cheguei a essa cidade imensa.

Caminho em passos lentos em direção ao elevador privativo que me levaria diretamente ao temido e luxuoso andar da presidência da Valmont & Co.

Nesse horário avançado da tarde, o movimento no prédio já havia diminuído drasticamente e já não tinha tanta gente trabalhando pelos corredores.

Quase todos os funcionários já haviam encerrado seus expedientes exaustivos e seguido o caminho de volta para as suas respectivas casas.

E era exatamente isso o que eu pretendia fazer, o mais rápido possível, assim que entregasse aqueles malditos papéis nas mãos do todo-poderoso.

Cheguei ao andar da presidência e me deparei com um ambiente totalmente vazio, imerso em um silêncio sepulcral e intimidador.

O lugar exalava um exagero de luxo, com mármore polido e detalhes em dourado que refletiam a iluminação suave dos lustres.

Eu sabia o quanto esses homens poderosos gostavam de ostentação, mas aquilo ultrapassava muito o limite do aceitável, fazendo-me sentir minúscula.

Aproximei-me da mesa da assistente executiva e notei que a cadeira estava vazia; com certeza ela já havia encerrado o expediente.

Apertei a pasta de documentos contra o peito, sentindo o coração começar a martelar contra as minhas costelas. Será que ele ainda está na sala?

A passos lentos e vacilantes, segui em direção à imponente porta de madeira maciça com a placa de identificação do CEO Lorenzo Bianchi.

Ergui a mão trêmula e bati uma, duas vezes, mas ninguém respondeu do outro lado, deixando apenas o eco das batidas no corredor.

Engoli em seco e, tomada por uma ousadia repentina, resolvi girar a maçaneta e abrir a porta bem devagar.

No mesmo instante, senti um frio violento atingir meu estômago que já estava completamente embrulhado pelo mal-estar.

E se ele estiver aí dentro e não gostar nem um pouco da minha invasão sem aviso prévio? Pensei, prestes a recuar.

— Com licença... — sussurrei, empurrando a folha da porta enquanto colocava um pé para dentro do escritório presidencial.

A palavra morreu imediatamente na minha garganta e eu estanquei no lugar, congelando por completo ao me deparar com a figura ali dentro.

Ele era o homem mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida pregressa, um espetáculo de masculinidade e poder.

Porte físico imponente, ombros largos que marcavam o paletó sob medida, pele dourada e cabelos escuros perfeitamente alinhados.

O rosto parecia ter sido esculpido minuciosamente por um deus; na verdade, ele próprio parecia uma divindade intocável e perigosa.

Quando ele finalmente ergueu a cabeça e percebeu a minha presença, seu corpo também paralisou no mesmo milésimo de segundo.

Nossos olhos se encontraram no ar em um choque elétrico, prendendo-nos em um ato hipnótico e sufocante do qual nenhum de nós conseguia desviar.

Mas não foi a beleza exuberante e intimidadora dele que fez o ar sumir completamente dos meus pulmões, deixando-me em pânico.

Meus olhos desceram e focaram em algo que ele segurava entre os dedos longos, que antes analisava com uma fixação sombria.

Meu Deus! Não... Não pode ser real! Um grito mudo ecoou na minha mente enquanto o sangue sumia do meu rosto.

Era a minha máscara. A exata máscara de viúva negra que eu havia deixado para trás naquele chão escuro após uma noite de luxúria.

Uma onda de choque percorreu a minha espinha quando as peças daquele quebra-cabeça perigoso se encaixaram de forma violenta.

Será que esse homem dominador à minha frente é o mesmo homem maravilhoso com quem transei insana e pornograficamente naquele baile?

O homem que me colocou contra a parede, que me devorou sem misericórdia e me fez gozar na sua boca era o CEO da empresa onde trabalho.

O impacto daquela descoberta brutal fez com que as minhas pernas perdessem instantaneamente todas as forças, ameaçando falhar.

Lorenzo Bianchi se levantou lentamente da cadeira de couro atrás da sua mesa ampla, mantendo os olhos cravados em mim.

Ele começou a caminhar na minha direção com passos firmes e predatórios, ainda segurando o pedaço de renda preta em uma das mãos.

O olhar dele era atento, frio e profundo, avaliando cada traço do meu rosto pálido. Será que ele me reconheceu?

— Você está bem? — foi a única coisa que consegui ouvir vindo dele, sua voz ecoando de forma rouca e grave no ambiente.

Ele parou a poucos centímetros de mim, perto o suficiente para que o seu magnetismo me atingisse como uma força da natureza.

Foi aí que o golpe final veio: puxei o ar e senti o perfume amadeirado e marcante que emanava da sua pele quente.

Era o mesmo perfume do dominó veneziano. O cheiro do homem que havia destruído as minhas defesas e tomado o meu corpo.

A certeza absoluta me atingiu e a última gota de energia que restava no meu corpo simplesmente se esvaiu de uma vez.

O relatório escorregou dos meus dedos, caindo no chão, e eu não consegui mais ver, sentir ou ouvir absolutamente nada ao meu redor.

A imagem de Lorenzo Bianchi foi a última coisa que piscou diante de mim antes que eu despencasse em uma imensidão de escuridão total.

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