Rodrigo Santoro
Os anos não passam… eles disparam.
Eu costumava ouvir isso de pessoas mais velhas e achava exagero, dramatização barata de quem não tinha mais o que viver. Hoje, sentado na varanda de casa, com um copo de whisky pela metade na mão e o som da risada da minha filha ecoando pelo jardim, eu entendo.
Eles não passam. Eles fogem de você.
E, quando você percebe, tudo já mudou.
Aurora não é mais o pequeno milagre frágil que cabia nos meus braços. Não é mais a bebê que eu observava respi