O número discado ainda ecoava na mente de Melina quando a ligação caiu.
Ela permaneceu com o celular na mão por alguns segundos, olhando para a tela apagada como se pudesse arrancar respostas dali. O silêncio do gabinete não era confortável — era pesado, carregado de coisas que nunca foram ditas em voz alta.
A cidade dormia lá fora.
Ela não.
Melina se levantou devagar, foi até a janela e encostou a testa no vidro frio.
Onde está enterrado o corpo que Miguel acha que pode usar contra mim?
Ela sabia exatamente a qual corpo ele se referia.
Só nunca tinha permitido que isso tivesse nome.
Havia coisas que Melina nunca contou a ninguém.
Nem a Lorena.
Nem à Clara.
Muito menos a Miguel.
Porque contar daria forma.
E dar forma tornaria real.
O passado dela não era feito de infância difícil ou pobreza romântica.
Era feito de escolhas.
Escolhas conscientes.
Ela não havia chegado ao topo por acaso.
O telefone vibrou quase uma hora depois.
Número desconhecido.
Ela atendeu.
— Onde você está? — pergu