Sertão da Bahia. 21h03.
A estrada de terra parecia infinita.
O carro preto avançava devagar, levantando poeira sob a lua cheia.
Não havia luz elétrica. Nem sinal de celular. Apenas o som dos grilos e do motor cansado.
Melina olhava pela janela como se buscasse respostas no breu.
A Mamba, ao volante, quebrou o silêncio:
— Tem certeza disso?
— Não.
— Então por que estamos indo?
Melina tragou o cigarro, apagou na porta do carro e respondeu com calma:
— Porque quando não se tem certeza de nada, é melhor apostar no que você mais teme.
Era um casarão antigo, abandonado pela pintura mas ainda imponente.
As janelas tinham grades de ferro. O portão, correntes grossas.
Era como se o lugar fosse um bunker em meio ao nada.
A Mamba bateu três vezes.
Nada.
Quando bateu a quarta, a voz ecoou lá de dentro:
— Eu só abro se for você, Melina.
A Mamba olhou para a chefe, surpresa.
Melina respirou fundo e empurrou o portão.
A sala era iluminada por lamparinas.
No c