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06. Saudade Acumulada

Alana

Carol: -Tá tudo bem por aqui?

Alana: -Tá, por quê?

Carol: -Tá com uma cara péssima.

Alana: -Minha pressão só baixou, mas já tô de boa.

Carol: -Aaah, pensei que a patricinha tinha feito algo com você.

Alana: -Que patricinha?

Carol: -A que acabou de sair?! -ela pergunta, como se fosse óbvio.

Alana: -A Alexia? Tá louca, Carol? Ela não é patricinha.

Carol: -Claro que é.

Alana: -E quem te disse isso?

Carol: -Eu a conheço de outros carnavais, amiga.

Alana: -Tá né... Vou indo pra sala, te vejo no intervalo.

Toco no ombro dela e saio do banheiro.

Bruno: -Até que enfim voltou garota, achei que tinha se perdido.

Alana: -Desculpa a demora, professor. Eu passei mal.

Bruno: -Tá melhor?

Alana: -Sim, valeu.

Ele sorri.

Agora ok. Vamos pensar no trabalho. Areia movediça com Lucas Menezes. É o cúmulo. 

E o trabalho é para segunda feira. Temos exatamente 1 semana pra fazer.

No fim da aula, passamos na mesa do professor para pegar as nossas cópias do trabalho. É, basicamente, um resumo do que tem que ser feito e algumas instruções de precaução.

Na hora do intervalo, uma surpresa maravilhosa! Seremos liberados de meio-dia! Não parece perfeito?

Quando vou saindo, Lucas me puxa pelo braço.

Lucas: -Ei, marrentinha.

Alana: -Fala.

Lucas: -A gente pode começar isso hoje?

Alana: -Tá com pressa?

Lucas: -Não... Só achei que a gente podia aproveitar que vai sair cedo, e... Adiantar as coisas.

Alana: -Você tem razão... Melhor não deixar pra última hora mesmo. Enfim... Er... A gente se fala depois.

Eu dou um pequeno sorriso.

Então me afasto.

Carol: -Amiga, você viu o Lucas por aí?

Alana: -Ah... Vi, ele tá perto da lanchonete.

Carol: -Então vem, você vai ficar com a gente!

Ela me puxa pela mão e eu reviro os olhos.

Carol: -Anjo, pensei em aproveitar que vamos sair mais cedo... Você pode ir lá pra casa hoje?

Lucas: -Não vai rolar, gata... Eu fiquei de fazer o trabalho com Alana.

Carol: -Trabalho?

Alana: -Err... É... Um trabalho de química. Ele começou um projeto e...

Carol: -E por que logo vocês dois juntos?

Lucas: -Não pira, maluca. Foi sorteio.

Alana: -É! Isso. Se eu pudesse escolher, não escolheria a imitação do Ken.

Lucas: -Como é que é garota?

Carol: -Tá bom vocês dois! Bem... Eu vou com vocês.

Alana: -Quê? E você vai fazer o que lá?

Carol: -Ué... Aproveitar a companhia do meu namorado... Tô com saudade dele.

Alana: -Carol vocês se vêem todo dia... E o dia inteiro!

Carol: -Mas é a saudade pelos tempos em que não estivemos juntos.

Alana: -Tá né... -eu reviro os olhos e me levanto, indo em direção aos armários.

Finalmente, ao meio-dia, alunos liberados indo para casa.

Alana: -Ei Ca, vamo?

Carol: -Não vai dar pra ir...

Alana: -Por que não? Você disse que ia...

Carol: -Eu sei, eu queria ir... Mas a vizinha ligou, disse que parece que um cano lá de casa estourou ou algo assim... Aí eu tenho que ir resolver...

Alana: -Entendi... Ah... Então tá bom.

Carol: -Eu tenho que correr... Fala pro Lucas que eu mandei um beijo naquela boca gostosa. Fui!!

Alana: -Eca.

Lucas: -Ei, marrentinha!

Alana: -Ai que susto, seu imbecil!

Lucas: -Calma aí surtada... Por que a Carol tá indo embora? Ela não disse que ia com a gente?

Alana: -Ela foi resolver o problema de um cano que estourou lá em casa.

Lucas: -Mandou algum recado pra mim?

Alana: -Eca. Ela mandou... Um beijo bem grande. Que nojo. Sua boca nem é isso tudo.

Lucas: -Como você sabe se nunca provou?

Alana: -Nem vou, né? Dessa água eu nunca beberei.

Ele ri.

Lucas: -Cê não quer mostrar esse beijo que ela mandou na prática, não?

Alana: -LUCAS!

Lucas: -Calmou! Tô brincando sua louca! Eu hein.

Alana: -E aí, a gente vai ficar aqui, olhando um pra cara do outro sem fazer nada?

Lucas: -Eu tô esperando a retardada da minha irmã.

Alana: -Você tem uma irmã?

Lucas: -Claro, ué. Ela conversa contigo todo dia e você não sabe?

Eu abro a boca para protestar, na mesma hora em que Alexia chega.

Alexia: -Vamos?

Alana: -Como assim, 'vamos'? Vamos pra onde?

Lucas: -Pra casa né, sua imbecil?

Alana: -Ah, então vocês são irmãos? Meu pai amado, nunca que eu ia saber! Por que você não me disse que era irmã desse bonequinho de plástico, Lexi?

Alexia: -Eu acho que passou pelo sentido... Mas tudo bem, vamos lá!

Alana: -Vamos! Ao menos você deixa o caminho menos insuportável!

Ela ri e começamos a andar.

Lucas e Alexia não moram muito longe. Na verdade, são 3 ruas antes da que eu moro com Carol.

Alana: -Eu não sabia que você morava tão perto... Por isso que basta a Carol piscar que você já tá lá em casa, né?

Lucas: -Basicamente isso... -ele ri.

Então entramos.

Xxx.: -Chegaram cedo hoje!

Alexia: -Pois é, mãe... Liberou de meio-dia. Lana, essa aqui é minha mãe, dona Luísa...

Alana: -Oi! Eu sou Alana, sou... Amiga da Lexi.

Luísa: -Muito prazer, querida.

Ela sorri e me abraça.

Alexia: -E esse aqui é meu padrasto, né, doutor Adriano?

Ela abraça o homem (largado) sentado no sofá, com o notebook no colo. Ele se vira e sorri.

Adriano: -Olá, querida. Sinta-se em casa. Amiga da Alexia é sempre bem-vinda aqui.

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