O sol das três da tarde em Belém castigava os gramados impecáveis da mansão Klines com uma ferocidade úmida, típica do clima equatorial. O calor distorcia o ar acima do asfalto na rua além dos muros altos, mas para Amélia, sentada na varanda dos fundos, o mundo parecia mergulhado em um inverno perpétuo.
Encolhida em uma das largas poltronas de vime, ela observava o jardim. A poucas dezenas de metros dali, uma risada infantil cortava o ar pesado: Dionísio, seu sobrinho, corria atrás de uma bola