40

A luz do sol invadia o quarto principal da mansão, ferindo os olhos de Amélia assim que ela os abriu. Por um segundo, o cheiro de Dimitri nos lençóis a fez sorrir, mas a memória da noite anterior — a fuga da festa, a brutalidade no depósito, o retorno silencioso e cúmplice para a mansão — caiu sobre ela como uma âncora.

Ela se sentou na cama, puxando o lençol para cobrir a nudez, sentindo o corpo dolorido, mas vivo de uma forma que a assustava. Dimitri ainda dormia ao seu lado, um braço pesado jogado onde ela estava segundos atrás.

O celular de Amélia vibrou na mesa de cabeceira. O nome Polly piscava na tela como um alerta de consciência.

Amélia atendeu num sussurro, o coração disparado.

— Alô?

— Menina! Pelo amor de Deus! — A voz de Polly, a governanta que era mais mãe do que babá, soou estridente. — Você não voltou para o apartamento ontem à noite! Mackenna me ligou dizendo que você sumiu da festa. Onde você está, Amélia?

Amélia fechou os olhos, a culpa apertando o peito.

— Calma, P
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