Na manhã seguinte, Elena me levou até a sala de música, insistindo que seria bom para “arejar a cabeça”. Talvez ela percebesse meu tormento interno mesmo que eu não dissesse nada. Ou talvez, naquela casa, todos estivessem sempre atentos demais ao que ninguém dizia.
A sala era ampla, com janelas altas que deixavam a luz da manhã escorrer pelos vitrais coloridos. Havia um piano de cauda no centro, negro e reluzente, como um animal adormecido. Eu me sentei sem compromisso, deixando os dedos desliz