Mundo ficciónIniciar sesiónO caso havia sido amplamente exposto na mídia internacional. E, por Frederick ser um bilionário do setor petrolífero, qualquer rumor ao redor dele ganhava proporções descontroladas, especialmente com outras mulheres surgindo.
— Estamos analisando as câmeras da região para verificar se o acidente pode ter sido provocado por paparazzi — explicou o detetive.
Engoli em seco.
— Eu só espero que tudo isso seja esclarecido. Pedi a Eduarda que não desse atenção a esse tipo de mídia… que logo passaria. Mas parece que me enganei.
A última frase saiu mais baixa do que eu queria.
— Sinto muito, senhora. A mídia é algo que não conseguimos controlar — disse ele, mantendo o olhar firme.
E no fundo, eu sabia que ele estava certo.
Mas, ao mesmo tempo, eu me sentia completamente impotente.
Minha filha estava ali, entre a vida e a morte — e a causa disso poderia estar diretamente ligada ao assédio e à perseguição da mídia, em busca de mais detalhes sobre o pai dela.
Será que esse inferno não teria fim?
Para piorar ainda mais toda aquela situação, eu descobria que talvez nem conhecesse completamente a vida da minha própria filha.
— Sr. Francesco, seria possível me colocar em contato com o marido de minha filha? — perguntei, tentando manter a voz firme, embora o coração estivesse acelerado. — Eu não tinha conhecimento de que ela estava casada.
Eu precisava saber quem era aquele homem.
E, principalmente, se tudo aquilo era verdade… ou se ele não passava de alguém oportunista tentando se aproveitar da situação.
— Sua filha nunca mencionou que era casada? — perguntou ele, visivelmente surpreso.
Francesco me observava com atenção profissional, como se estivesse avaliando cada reação minha.
— Eduarda saiu de casa há quatro anos para trabalhar como modelo aqui em Milão — respondi. — Conversávamos com frequência, e ela sabia que meu casamento não era tão perfeito quanto parecia. Talvez tenha achado que eu não a apoiaria.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Cada segundo parecia se arrastar enquanto eu tentava compreender se minha filha estava realmente protegida… ou se o homem com quem havia se casado fazia parte de um problema ainda maior.
O detetive me entregou um papel com o número de telefone do suposto marido dela. Segurei o papel por alguns segundos antes de guardá-lo na bolsa.
Não faria aquela ligação naquele momento.
Antes disso, havia outra dúvida que não saía da minha cabeça.
— Ele tem um álibi? — perguntei, encarando o detetive.
— Sim, Sra. Vaughn. Assim que chegamos ao local do acidente e identificamos a vítima, fizemos todo o levantamento necessário. No momento do acidente, seu genro estava no apartamento que pertence ao casal. O porteiro comprovou.
Assenti lentamente, sem dizer nada.
A informação não trouxe alívio — apenas mais perguntas.
Quando deixei a sede da polícia, o coração parecia ainda mais pesado.
Voltei para o hotel para tentar descansar algumas horas. Eu não havia dormido desde que chegara a Milão, e o jet lag começava a cobrar seu preço.
Mas o descanso não veio de verdade.
No final da tarde, retornei para o hospital.
Assim que desci do carro em frente à unidade de saúde, fui novamente engolida por repórteres que avançaram ao meu redor como uma onda sufocante.
Microfones foram erguidos, flashes dispararam, e as vozes se sobrepunham em perguntas afiadas, sem o mínimo de sensibilidade.
— Sra. Vaughn, o que sabe sobre o estado da sua filha?
— A senhora sabe se sua filha vai sobreviver?
Tentei avançar, mas, de repente, uma pergunta cortou o ar como uma lâmina, fazendo por um segundo todo o caos ao meu redor parecer diminuir.
— É verdade que a modelo vista em momento íntimo com seu marido era amiga de sua filha? A senhora sabia que elas tiveram uma briga?
O impacto daquelas palavras me atingiu como um soco no estômago.
Uma sensação amarga tomou conta do meu peito, e uma mistura de incredulidade e indignação percorreu minhas veias.
Parei imediatamente.
Encarei o repórter que havia feito a pergunta. O desejo de gritar era quase incontrolável, mas contive a reação e mantive a postura.
— Neste momento, a única coisa que importa é a vida da minha filha — respondi, com a voz firme apesar da tensão. — Qualquer especulação maldosa sobre terceiros é desumana e não merece ser respondida.
Sem esperar por qualquer réplica, segui em direção à recepção, atravessando os flashes e os microfones. Só havia espaço em mim para uma única prioridade.
Eduarda.
Mas, enquanto avançava pela calçada do hospital, uma sensação incômoda começou a se instalar no meu peito.
Se minha filha realmente estava fugindo de alguém naquela estrada… então a pergunta mais importante não era por que o acidente aconteceu.
Era de quem ela estava tentando escapar.
Entrei com passos firmes, tentando aparentar calma, apesar da tempestade que se formava dentro de mim. Aproximei-me da recepção, onde uma verdadeira confusão se instalava.
Um rapaz muito bonito discutia com a recepcionista e com o segurança, a voz carregada de frustração.
Por um segundo — num pensamento completamente inadequado para aquele momento — me peguei pensando em como a maioria dos homens na Itália parecia saída de um padrão irreal de beleza, impossível de ignorar.
— Preciso saber apenas se o estado dela continua o mesmo. Uma única atualização — ele dizia, quase implorando. — Ela só tem o marido aqui, e somos muito próximos.
A recepcionista tentava manter a calma, mas a insistência dele chamava a atenção de todos ao redor.
Fiquei intrigada.
— Senhor, já informamos que não podemos fornecer informações sobre pacientes. Apenas familiares podem receber essas atualizações, e qualquer divulgação depende de autorização — respondeu ela, firme.
— Como disse, Eduarda só tem o marido aqui… — insistiu ele, elevando um pouco mais a voz.
O nome me atingiu como um choque.
Sem pensar, me aproximei.
— Com licença… — intervi, em um tom firme, porém educado. — Sobre quem o senhor deseja informação?
O rapaz se virou para mim com o olhar desconfiado, mas apenas por um instante. Logo sua expressão mudou para surpresa, como se me reconhecesse.
— A senhora é Helena Vaughn… a mãe de Duda — murmurou, aliviado.
Senti meu coração acelerar imediatamente.
— Sou Enrico Romano, senhora — disse ele, apresentando-se com pressa. — Sou o namorado dela. A senhora tem alguma notícia?







