Renata
Eu não lembrava direito do caminho até o hospital.
Só lembrava do barulho.
A sirene do carro abrindo passagem pela cidade. A respiração pesada de Erick perto do meu rosto. A voz dele repetindo meu nome como se, se parasse, eu fosse desaparecer.
E a minha mão cravada na barriga.
— Vai ficar tudo bem — ele dizia, mas a voz dele tremia. — Você está comigo, Renata. Olha para mim.
Eu tentei olhar.
De verdade.
Mas a dor vinha em ondas pequenas e assustadoras, apertando meu ventre como uma mão