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CAPÍTULO 3 — TARDE DEMAIS PARA IGNORAR

CAPÍTULO 3 — TARDE DEMAIS PARA IGNORAR

Davi Ferraz não era um homem que se distraía.

Muito menos alguém que se arrependia.

Sua vida sempre foi construída com base em decisões frias, calculadas, estratégicas. Emoção nunca foi um fator relevante.

E, ainda assim…

algo estava errado.

Ele percebeu isso no momento em que Isadora saiu daquela sala.

Não foi imediato.

Não foi óbvio.

Foi… sutil.

Mas persistente.

Como um ruído baixo que não desaparece.

Ele voltou a olhar para os papéis sobre a mesa, tentando retomar o foco. Havia reuniões importantes, contratos a revisar, decisões que envolviam milhões.

Coisas que realmente importavam.

Mas, pela primeira vez em muito tempo…

nada daquilo conseguiu prender sua atenção.

A imagem dela voltou.

Indesejada.

Insistente.

O olhar firme.

A forma como falou.

A ausência de desespero.

Aquilo…

não combinava.

— Estranho… — murmurou, baixo.

Porque mulheres naquela posição geralmente imploravam.

Insistiam.

Criavam cenas.

Mas Isadora não.

Ela entrou.

Falou.

E saiu.

Como se estivesse encerrando algo.

Não pedindo.

Não implorando.

Encerrando.

Davi franziu levemente o cenho.

Aquilo o incomodou.

Não pela situação em si.

Mas pelo controle que ela parecia ter mantido.

E ele não gostava de não entender.

Pegou o celular.

Pensou em ignorar.

Mas não ignorou.

— Lucas.

— Sim, senhor?

— Quero todas as informações sobre uma mulher.

— Nome?

Davi hesitou por um segundo.

Algo raro.

— Isadora.

— Só isso?

— Descubra o resto.

A ligação foi encerrada.

E, pela primeira vez em muito tempo…

Davi sentiu curiosidade.

Não interesse.

Curiosidade.

E isso já era demais.

***

Do outro lado da cidade, Isadora caminhava sem rumo.

Não porque estivesse perdida.

Mas porque precisava de alguns minutos para si mesma.

Para respirar.

Para reorganizar.

Para aceitar.

O encontro com Davi não foi como ela imaginou.

Foi pior.

Muito pior.

Mas, ao mesmo tempo…

foi esclarecedor.

Agora não havia dúvidas.

Não havia expectativas.

Não havia espaço para ilusões.

Ele não queria saber.

E ela não precisava dele.

Simples assim.

Ou pelo menos…

era o que tentava repetir para si mesma.

Entrou em uma pequena cafeteria, mais por reflexo do que por vontade. O ambiente era silencioso, acolhedor, o tipo de lugar onde ninguém fazia perguntas.

Perfeito.

Sentou-se em uma mesa afastada, apoiando as mãos sobre a superfície de madeira.

Respirou fundo.

Uma vez.

Duas.

Mas o peso não diminuía.

— Um café, por favor.

A voz saiu baixa.

Controlada.

Como sempre foi.

Mas, por dentro…

não havia controle nenhum.

Ela levou a mão ao ventre novamente, quase sem perceber.

Ainda não havia nada visível.

Mas já existia.

E isso mudava tudo.

— Eu vou dar conta… — sussurrou.

Não como dúvida.

Mas como promessa.

Porque, se havia algo que Isadora sabia fazer…

era sobreviver.

***

Horas depois, Davi ainda estava no escritório.

Algo extremamente incomum.

Ele já deveria ter saído.

Já deveria ter seguido com a rotina.

Mas não saiu.

Porque Lucas voltou mais rápido do que o esperado.

— Já tenho informações.

Davi levantou os olhos lentamente.

— Fale.

— Nome completo: Isadora Almeida. Trabalha em uma empresa pequena, setor administrativo. Histórico limpo. Sem registros relevantes.

Silêncio.

— Continue.

— Não há histórico de relacionamento com pessoas do seu nível social. Vida simples. Discreta.

Davi encostou-se na cadeira.

Pensativo.

— E?

Lucas hesitou por um segundo.

— Não há nenhum indício de que ela tenha histórico de tentar se envolver com pessoas influentes.

Aquilo…

chamou atenção.

— Nenhum?

— Nenhum.

Silêncio.

Mais pesado agora.

Davi passou a mão pelo maxilar, pensativo.

Aquilo não fazia sentido.

Se fosse mentira…

por que alguém sem histórico faria aquilo?

E, se fosse verdade…

por que ela simplesmente iria embora?

Sem insistir.

Sem pedir nada.

Sem sequer olhar para trás.

A lembrança da última frase dela voltou.

“Eu não vou voltar aqui.”

Davi estreitou levemente os olhos.

Aquilo não soava como ameaça.

Soava como…

certeza.

E, pela primeira vez desde que tudo aconteceu…

uma dúvida real surgiu.

E se…

***

Isadora chegou em casa exausta.

Não fisicamente.

Mas mentalmente.

Cada pensamento parecia mais pesado que o anterior.

Mas, ainda assim, havia algo diferente.

Algo novo.

Ela não estava quebrada.

Estava…

mudando.

Fechou a porta atrás de si, apoiando-se por um segundo.

Silêncio.

Segurança.

Seu espaço.

Seu controle.

Caminhou até o quarto, trocando de roupa com movimentos automáticos, tentando aliviar o peso do dia.

Mas não havia como.

Porque aquilo não era algo que passaria com o tempo.

Aquilo era permanente.

Deitou-se na cama, encarando o teto.

E, pela primeira vez…

não pensou nele.

Pensou no futuro.

No que viria.

No que precisaria fazer.

E, estranhamente…

isso a acalmou.

Porque, diferente de Davi…

ela sabia lidar com consequências.

***

No escritório, Davi continuava parado.

Imóvel.

Pensando.

O que não era comum.

O que não era confortável.

Mas estava acontecendo.

Ele pegou o celular novamente.

O nome dela não estava salvo.

Mas a lembrança estava.

Viva demais.

Incômoda demais.

E, contra toda lógica…

ele fez algo que normalmente não faria.

— Lucas.

— Sim?

— Quero o endereço dela.

Silêncio do outro lado da linha.

— Senhor…?

— Você ouviu.

A ligação foi encerrada.

Davi ficou alguns segundos olhando para o celular.

Imóvel.

Pensativo.

E então murmurou, baixo:

— Vamos ver se você realmente não vai voltar…

Mas, no fundo…

ele já sabia.

Dessa vez…

era ele quem iria.

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