O relógio na parede da sala de estar parecia marcar o tempo com uma lentidão sádica. Quarenta e oito horas haviam se passado desde a noite em que o mármore da cobertura foi manchado pelo rastro de uísque e batom de Eros. Dois dias em que o silêncio no apartamento não era mais a paz de um museu, mas a quietude de um campo minado.
Helena havia se tornado um fantasma dentro da própria casa. Ela se movia com uma discrição cirúrgica, cronometrando suas idas à cozinha e à sala para garantir que nunca