A meia-noite a cidade tinha um som próprio: um zumbido distante de motores que nunca dormiam, misturado ao vento que assobiava entre os vãos dos arranha-céus. Na cobertura da Avenida Paulista, o silêncio era interrompido apenas pelo movimento rítmico das águas da piscina de borda infinita. Helena estava do lado de fora, envolta em um robe de seda pesado para se proteger do sereno, os olhos perdidos em um céu estrelado que parecia indiferente às misérias humanas lá embaixo.
Ela não conseguia dor