Narrado por Catarina
A manhã começou tranquila — tranquila até demais.
O tipo de dia em que o sol parece brilhar só pra te enganar antes da tempestade.
Eu acordei cedo, Mikhail ainda dormia. Ele estava exausto depois de uma noite longa de reuniões com o Dmitri. O trabalho dele nunca terminava. O mundo ao redor dele era feito de estratégia, poder e perigo, e eu tentava não pensar demais nisso.
Coloquei um casaco grosso e fui até o jardim. O inverno estava começando a perder força, e algumas flores começavam a nascer de novo. A brisa era fria, mas suportável. Gosto de caminhar ali — me lembra que ainda sou uma pessoa comum, que posso respirar sem olhar por cima do ombro.
Ou pelo menos era o que eu tentava acreditar.
Enquanto andava, senti uma pontada estranha no peito.
Aquela sensação incômoda de estar sendo observada.
Olhei em volta. Nada. Só os seguranças habituais, parados próximos ao portão, e o barulho distante de carros.
Sacudi a cabeça, tentando afastar a paranoia.
Mais tarde, Mi