Narrado por Catarina Smirnova
Eu ainda tremia quando a porta foi trancada atrás de nós. O som da chave girando parecia mais alto que todos os tiros que tinham ecoado minutos antes.
O coração batia tão forte que eu achava que ele ia sair pela garganta.
A casa inteira cheirava a pólvora, madeira queimada e sangue. O chão estava riscado pelas botas dos seguranças, e os ecos da luta pareciam vivos — como se as paredes ainda guardassem o grito de quem caiu ali.
Encostei as costas na parede e desabei.
O corpo não obedecia, as pernas bambas, o ar raspando na garganta. Eu não sabia se queria chorar ou gritar, mas as duas coisas saíram ao mesmo tempo.
Catarina: — Ele… ele tava aqui, Mikhail… o meu pai…
A voz saiu fraca, quebrada.
Mikhail se aproximou devagar, o rosto sujo de fuligem, o sangue seco na manga da camisa. Ainda respirava pesado, mas o olhar dele era firme — aquele tipo de olhar que segura o mundo quando tudo parece despencar.
Mikhail: — Eu sei, amor. Eu sei. Mas ele não vai tocar e