O sol mal tinha subido quando Mikhail chegou à mansão de Dmitri.
O rosto ainda carregava o cansaço da noite anterior: olheiras profundas, mandíbula travada e o sangue seco que teimava em não sair da gola da camisa.
Dmitri o esperava na varanda, com uma xícara de café nas mãos e o olhar frio de quem já sabia o que vinha pela frente.
Dmitri: — A notícia chegou antes de você.
Mikhail: — Eu imaginei.
Mikhail se sentou na cadeira de frente para ele. Nenhum dos dois falou por alguns segundos.
O silêncio entre chefes da máfia sempre significava respeito… ou raiva.
Naquele caso, era um pouco dos dois.
Dmitri: — Yakov.
Mikhail: — Ele mesmo. Invadiu minha casa, tentou levar Catarina.
Dmitri: — Ela está bem?
Mikhail: — Assustada. Mas viva.
Dmitri girou a xícara lentamente, olhando o vapor subir.
O olhar dele, por mais calmo que fosse, deixava claro que algo o preocupava.
Quando ele falava com aquele tom, significava que o problema não era mais pessoal — era político.
Dmitri: — Você sabe o que is