Mundo de ficçãoIniciar sessãoAda Williams
Suor.
Terra.Cheiro ruim.Peso…muito peso.Foi assim que passei o dia trabalhando na fazenda.
É claro, não podia esquecer dos animais me encarando como se percebessem que eu era uma fraude.Quando finalmente terminei as primeiras missões, meu corpo inteiro estava dolorido.
Olhei para o céu.
O sol já começava a descer.
— …Tá de brincadeira.
Eu nem tinha visto o tempo passar.
E ainda faltava a plantação.
Quase chorei comendo o pão duro como lanche.
Resmungando sozinha, caminhei até os campos enquanto limpava a sujeira da roupa.
O vento balançava as plantações, que por sorte — ou não — não eram tão grandes assim.
Pelo menos era bonito.
Uma pena eu estar cansada demais pra apreciar.
Comecei a verificar os cultivos do jeito que conseguia, basicamente imitando o que as memórias da Ada original pareciam lembrar.
Porque sinceramente?
Eu não sabia porra nenhuma sobre agricultura.E enquanto arrancava ervas daninhas com raiva crescente, uma percepção horrível começou a surgir.
— Isso é ridículo…
Se eu precisasse gastar o dia inteiro mantendo aquela fazenda funcionando…
Então quando exatamente eu teria tempo pra descobrir como salvar White Hill?
Ou pior…
Como sair daquele mundo?
Eu queria morrer.
Essa foi a conclusão que tive enquanto arrancava mato da plantação com as mãos sujas de terra.
Minha barriga roncava.
Minhas costas doíam.E eu estava começando a odiar aquele sistema com todas as forças da minha alma.— Isso é trabalho escravo gamificado…
O sol já começava a desaparecer quando finalmente terminei a última tarefa.
No mesmo instante, várias notificações apareceram na minha frente.
[Missão concluída: Cuide da plantação — 1/1]
[Missões diárias completas.]
Quase chorei de alívio.
Voltei andando até a casa com passos arrastados, me sentindo um cadáver agrícola.
Assim que entrei, as janelas brilhantes começaram a surgir novamente.
[PARABÉNS]
[Missões diárias concluídas com sucesso.]
[Continue assim para desbloquear mais benefícios.]
Sentei no chão imediatamente.
Exausta.
Suada.
Suja.Com cheiro de titica de galinha.— Benefícios…?
Franzi a testa cansada.
Foi só então que percebi uma pequena aba piscando abaixo da mensagem principal.
[Recompensas disponíveis]
Curiosa, toquei nela.
Novas informações apareceram rapidamente diante dos meus olhos.
[Habilidades Disponíveis]
— Verificação Minuciosa
— Elixir de Fortificação— Elixir de Qualidade— Elixir de FertilidadeFiquei encarando aquilo em silêncio.
— Fertilidade…?
Meu rosto se contorceu instantaneamente.
— Nem fudendo.
Comecei a ler as descrições.
[Verificação Minuciosa– Passiva]
Permite analisar informações gerais de objetos, pessoas, locais e recursos.[Elixir de Fortificação– Ativa]
Aumenta temporariamente a resistência física.[Elixir de Qualidade– Ativa]
Melhora temporariamente a qualidade da produção agrícola.[Elixir de Fertilidade– Ativa]
Aumenta temporariamente a eficiência de cultivo e reprodução animal.Piscando lentamente, continuei descendo pela janela.
Então encontrei o problema.
[Custo de utilização de habilidades ativas: 5 PA]
— …
Suspirei profundamente.
Claro.
Porque aparentemente minha vida agora funcionava igual a um RPG.
Eu tinha habilidades.
Mas precisava pagar pra usar.Fantástico.
— O que diabos é PA agora…?
Aquilo era informação demais pra um cérebro só.
Levei as mãos ao rosto.
Ok.
Calma.
Talvez os pontos viessem das missões.
Ou do trabalho.Ou experiência.Seja lá o que fosse aquilo.
Ainda curiosa, resolvi testar a habilidade.
— Elixir de fortificação.
Nada aconteceu.
Então uma nova mensagem surgiu.
[PONTOS INSUFICIENTES]
— Ah, maravilha.
Revirei os olhos.
Então as habilidades eram inúteis no momento.
Perfeito.
Fechei as janelas com irritação.
Porém…
Quando olhei ao redor da cozinha, percebi algo que me deixou minimamente menos miserável.
Agora eu tenho mais ovos.
Alguns legumes que peguei na plantação.E comida suficiente pra pelo menos não morrer de fome imediatamente.Pequenas vitórias.
Muito pequenas.
Depois de comer alguma coisa improvisada, fui tentar tomar banho.
Ou melhor…
Me limpar numa banheira medieval estranha usando água fria.
A experiência foi humilhante.
Mas pelo menos tirei o cheiro de curral do corpo.
Depois disso, coloquei uma roupa limpa e finalmente comecei a me preparar psicologicamente para dormir.
Meu corpo inteiro doía.
Talvez eu apagasse instantaneamente na cama dessa vez.
Apaguei as velas da cozinha lentamente enquanto o silêncio da noite envolvia a pequena casa.
Foi então que ouvi.
TOC.
TOC.
TOC.
Congelei imediatamente.
Alguém estava batendo na porta.
Meu coração disparou tão forte que consegui ouvir o sangue pulsando nos ouvidos.
Olhei lentamente em direção à entrada da casa.
Quem…
Quem viria aqui àquela hora?
A escuridão do lado de fora parecia… pesada demais.
Outra batida ecoou.
Mais forte dessa vez.
TOC. TOC. TOC.
Engoli em seco.
Instintivamente dei um passo para trás.
Eu não conhecia aquele mundo.
Não conhecia aquelas pessoas.
E definitivamente não sabia se estava segura.
Foi então que uma voz masculina surgiu do outro lado da porta.
Baixa e estranhamente fria.
— Ada.
Meu corpo inteiro arrepiou.
Porque aquela voz…
Aquela voz carregava um tipo de presença que fez meu instinto gritar imediatamente.
Perigo.







