Mundo ficciónIniciar sesiónAda Williams
Eu não consegui dormir.
Nem por cinco minutos.
Toda vez que fechava os olhos, via:
— as mensagens flutuantes,— White Hill pegando fogo,— ou aquelas memórias que não eram minhas… mas também eram.Então fiquei deitada naquela cama dura olhando para o teto de madeira enquanto minha mente lentamente entrava em colapso.
Ótimo.
Perfeito.
Agora, além de pobre, eu também estava enlouquecendo.
Para minha sorte, em algum momento acabei pegando no sono sem perceber.
E me arrependi amargamente.
Porque fui acordada por uma explosão de luz na minha cara.
— AH!
Dei um pulo tão rápido da cama que quase caí no chão.
Meu coração disparou enquanto várias janelas brilhantes apareciam na minha frente.
[MISSÕES DIÁRIAS DISPONÍVEIS]
Eu encarei aquilo em silêncio absoluto por alguns segundos.
Então levei as mãos ao rosto.
— Não…
Mais janelas apareceram.
[Alimente os animais — 0/1]
[Cuide da plantação — 0/1]
[Recolha ovos frescos — 0/1]
[Verifique o armazenamento de alimentos — 0/1]
Meu olho começou a tremer.
— Não.
— Não, não, não.Então era isso?
Mesmo em outro mundo eu tinha que trabalhar?
Olhei lentamente para o teto.
Que horas eram? Parecia que o sol nem tinha nascido direito ainda.
— Deus… você me odeia?
Porque só podia ser isso.
Era impossível alguém ter tanto azar naturalmente.
Minha sina era trabalhar eternamente?
Até numa realidade paralela medieval eu virava CLT agrícola?
Revirei os olhos e simplesmente voltei a me jogar na cama.
— Não vou fazer isso.
Cruzei os braços.
— Hoje eu tiro férias.
A cama parecia uma pedra?
Parecia.O lugar era deprimente?
Era.Mas ainda assim eu me recusava a levantar.
Cinco segundos depois, uma nova notificação surgiu.
[AVISO]
Franzi a testa.
Logo abaixo das missões, novas palavras começaram a aparecer lentamente.
[PENALIDADES POR FALHA]
[Não concluir as missões diárias resultará em EVENTO ALEATÓRIO NEGATIVO.]
Meu corpo inteiro ficou imóvel.
— …
Evento aleatório negativo?
Que porra significava isso?
Minha mente imediatamente começou a imaginar possibilidades horríveis.
Doença?
Acidente?Ataque?Maldição?Olhei para aquelas palavras sentindo os pelos do braço arrepiarem lentamente.
Aquilo já era ruim, então podia piorar?
Claro que podía.
Era minha vida.
Fechei os olhos por alguns segundos.
Respira.
Talvez o sistema só estivesse tentando me assustar.
Talvez não acontecesse nada.
Mas…
E se acontecesse?
Eu nem sabia como funcionava aquele mundo ainda.
Morrer por preguiça no primeiro dia seria humilhante até pra mim.
— Ah, inferno…
Levantei derrotada da cama.
Abri o pequeno armário de madeira do quarto procurando alguma roupa menos sofrível.
Acabei escolhendo um vestido simples em tons claros que parecia um pouco menos estranho que os outros.
Ainda parecia roupa de personagem secundária de drama histórico barato.
Mas fazer o quê?
Enquanto me trocava, acabei me olhando melhor num pedaço de espelho antigo pendurado na parede.
Parei por alguns segundos.
Ok…
O corpo da Ada fictícia era bonito.
Muito bonito, na verdade.
Cintura fina.
Pele clara.Cabelo longo.Traços delicados.Ela parecia uma versão minha depois de oito horas de sono, terapia e skincare caro.
Que injusto.
Suspirei e prendi o cabelo improvisadamente antes de sair do quarto.
A cozinha da casa parecia ainda mais deprimente à luz do dia.
E não tinha absolutamente nada pronto para comer.
Ótimo.
Então, além de agricultora, eu também precisava cozinhar.
Abri alguns armários antigos tentando descobrir o que existia ali dentro.
Aveia.
Frutas.Ovos.Alguns vegetais.Pão duro.Pelo menos a comida parecia relativamente normal.
Graças a Deus eu não tinha acordado num universo onde as pessoas comiam insetos fermentados no café da manhã.
Peguei uma fruta e encarei o fogão a lenha…como eu ia usar aquilo? Iria acabar colocando fogo na casa, isso sim.
Mas então algumas lembranças vieram.
Eu sabia que fazia aquilo?
Ou melhor, a Ada fictícia sabia.
Tentei fazer como me lembrava e então, depois de alguns minutos e muita cinza e carvão, eu consegui.
— Graças a Deus!
No fim, aquele corpo sabia o que fazer.
Com fogo ligado e uma panela velha, improvisei alguma coisa minimamente comestível com ovos e aveia.
Não estava bom.
Mas também não estava mortal.
Acho.
Depois disso, respirei fundo e decidi enfrentar aquelas “missões.”
O galinheiro foi minha primeira experiência traumática do dia.
— AI!
Quase levei uma bicada tentando pegar os ovos.
As galinhas nitidamente me odiavam.
Tenho certeza.
— Qual o problema de vocês?!
Uma delas literalmente correu atrás de mim.
Depois vieram os porcos.
O cheiro quase me matou.
— Meu Deus…
Em seguida, o curral.
E foi ali que percebi uma coisa terrível:
Trabalho rural era infinitamente pior do que o escritório.







