— Beatriz está ferida, passou por dois sequestros, quase perdeu a vida… — A voz grave do Sr. Henrique ecoava pelo quarto. — E tudo isso não tem relação com Vitória? Ou melhor, não tem relação direta com você? Toda a dor dela foi causada por você. Gabriel, como pode suportar isso? O que Beatriz lhe deve? Em que ela lhe falhou? Deixe-a em paz, ela já sofreu demais. Dois anos de casamento foram um tormento, e ainda teve de enfrentar Vitória. Se você ainda é humano, se ainda tem consciência, eu lhe imploro… Basta!
No centro do quarto, Gabriel permanecia de cabeça baixa, mãos cerradas, corpo tenso como uma corda prestes a arrebentar.
Cada palavra do avô era como uma lâmina, cravando fundo em seu peito, fazendo-o arder em dor.
— Quer que eu enumere suas feridas contra ela? — A voz firme continuou. — Dois anos em que a tratou como empregada. As bolhas nos pés, as fraturas, a intoxicação por gás… Mesmo quando era obra de Vitória, você não era cúmplice indireto? Olhe para Beatriz agora: resta a