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Capítulo 6 Ansiosa para agradar

Dmitri liberava mais alguns contratos com Louise, desde sua chegada em Porto Cristal, ele teve inúmeras reuniões. Nesse momento a porta se abriu sem aviso. Yuri entrou. Seus olhos, por uma fração de segundo, suas feições endureceram. Ao pousar o olhar em Louise, uma expressão de puro desgosto atravessou seu rosto.

Yuri não sabia explicar a origem daquela irritação visceral que sentia sempre que se cruzavam, era instintivo, um alerta em seus nervos que o deixava impaciente com a presença da mulher.

Louise, sentindo a hostilidade irradiar do homem, recolheu os contratos assinados rapidamente.

— Com licença, senhor — ela disse a Dmitri, ignorando Yuri enquanto passava para sair.

Com o clique da porta, a postura de Yuri mudou. Ele se aproximou da mesa.

- Você não precisa ser hostil, Bratan (irmão). Você mesmo já checou a moça...

Yuri bufou resmungando para si mesmo.

- Tenho os relatórios do presidente do conselho.

— Yosev?

— O velho está movendo as peças. Ele quer te apresentar a sobrinha.

Dmitri arqueou uma sobrancelha.

— E a moça?

Yuri soltou uma risada seca.

— Para o mundo, ela é a "moça perfeita". Mas eu cavei mais fundo. Entrei em alguns fóruns da dark web.

Yuri apontou para um vídeo pausado, onde a iluminação era precária e o ambiente parecia um clube clandestino de apostas pesadas.

— A "doce menina" é figurinha carimbada em circuitos que fariam os nossos soldados corarem.

Dmitri inclinou-se para a frente, os olhos fixos na imagem granulada da mulher.

— Parece que Yosev subestimou minha capacidade de enxergar através das máscaras, disse Dmitri, a voz como um sussurro de aço.

— Se eles querem me dar uma esposa, vamos deixá-los acreditar que o plano está funcionando...

Mais tarde.

O sol já havia se posto, quando Dmitri deixou o prédio. Ao se aproximar do sedã blindado, o motorista, abriu a porta traseira. Dmitri parou por um segundo. Sentada no couro luxuoso, como se fosse a dona do veículo, estava a sobrinha de Yosev. Rina Krushinsk . Ela vestia um conjunto que gritava pureza, os cabelos presos em um coque impecável.

— Por favor, perdoe a minha intromissão — ela disse, com uma voz doce e melódica, um sorriso tímido brincando nos lábios.

— Achei que poderíamos ter um momento... a sós.

Dmitri trocou um olhar com Yuri, que estava parado logo atrás dele. Yuri apenas assentiu e fechou a porta assim que Dmitri se acomodou no banco.

Dmitri não disse uma palavra, apenas observou a mulher à sua frente. Com uma agilidade que contrastava com sua aparência, ela deslizou do banco e se posicionou no chão do carro, entre os joelhos de Dmitri.

— O que você quer?

A voz de Dmitri saiu como um trovão baixo, sem um pingo de cortesia.

Ela inclinou a cabeça, os olhos castanhos arregalados com uma falsa inocência que faria qualquer outro homem cair a seus pés.

— Apenas conhecer o homem.

Dmitri soltou uma risada seca, desprovida de humor.

— Eu não gosto desse jogo, e você é péssima em atuar.

A mudança foi instantânea. O brilho tímido nos olhos dela evaporou, substituído por uma chama vertical e predatória.

— Então você prefere as mulheres ousadas?

Rina sussurrou, a voz carregada de segundas intenções.

Sem esperar resposta, ela se ergueu levemente, pressionando o corpo contra o dele. Esfregou os seios com firmeza contra o membro de Dmitri, desafiando a sua compostura enquanto suas mãos subiam pelas coxas dele.

Antes que ela pudesse avançar, a mão de Dmitri disparou. Ele segurou o queixo dela com força, forçando-a a erguer o rosto. Ele aproximou o rosto do dela até que suas respirações se misturassem, os olhos dele fixos nos dela como dois punhais de gelo.

— Eu vi os vídeos, ele sussurrou contra os lábios dela, sentindo-a congelar por um milésimo de segundo.

— Eu sei exatamente o tipo de "flor" que você é. Se você acha que pode me manipular com o que tem entre as pernas, está subestimando terrivelmente o homem que está tentando seduzir. Nem drogado eu aceitaria uma cadela como você!

O sorriso dela vacilou, mas a audácia não desapareceu. Ela tentou dissimular, afinal a esposa do Pakhan era um título pelo qual valia lutar.

O olhar de Dmitri era cortante, desprovido de qualquer traço de luxúria, apesar do contato físico. Ele a soltou com um empurrão seco, como se estivesse descartando um objeto sem valor.

— Saia do carro, ele ordenou.

— Nós dois sabemos que...

— Você não ouviu bem?

Dmitri inclinou-se para a frente, a sombra do interior do carro tornando suas feições ainda mais sinistras.

— Sua "reputação impecável" é o único capital que Yosev tem para negociar com o conselho. No momento em que eu vazar esses vídeos da dark web, você deixará de ser uma noiva valiosa para se tornar uma vergonha que ele mesmo terá que eliminar para salvar a própria pele.

A cor fugiu do rosto dela. A ameaça era real, e ela sabia que, no mundo da máfia, a desonra era frequentemente punida com sangue.

— Você não faria isso... ela sussurrou, a voz perdendo a força.

— Eu sou o Pakhan.

Dmitri rebateu, a voz gélida.

— Eu não preciso de mentiras e manipulações baratas. Se você, ou seu tio, cruzarem o meu caminho novamente com esse teatro, eu farei questão de que sua queda seja pública, lenta e muito dolorosa.

Dmitri bateu levemente no vidro. Instantaneamente Yuri a abriu pelo lado de fora.

— Vamos. Fora!

Então disse Yuri, sem um pingo de cavalheirismo.

— Yuri.

— Pakhan?

— Mantenha os arquivos prontos. Rina estava muito ansiosa para agradar. Se Yosev mencionar a palavra "casamento" no jantar de amanhã, eu quero que ele receba um link privado antes mesmo da sobremesa ser servida.

- Certo.

- Agora vamos, estamos atrasados.

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