Mundo de ficçãoIniciar sessãoDmitri liberava mais alguns contratos com Louise, desde sua chegada em Porto Cristal, ele teve inúmeras reuniões. Nesse momento a porta se abriu sem aviso. Yuri entrou. Seus olhos, por uma fração de segundo, suas feições endureceram. Ao pousar o olhar em Louise, uma expressão de puro desgosto atravessou seu rosto.
Yuri não sabia explicar a origem daquela irritação visceral que sentia sempre que se cruzavam, era instintivo, um alerta em seus nervos que o deixava impaciente com a presença da mulher. Louise, sentindo a hostilidade irradiar do homem, recolheu os contratos assinados rapidamente. — Com licença, senhor — ela disse a Dmitri, ignorando Yuri enquanto passava para sair. Com o clique da porta, a postura de Yuri mudou. Ele se aproximou da mesa. - Você não precisa ser hostil, Bratan (irmão). Você mesmo já checou a moça... Yuri bufou resmungando para si mesmo. - Tenho os relatórios do presidente do conselho. — Yosev? — O velho está movendo as peças. Ele quer te apresentar a sobrinha. Dmitri arqueou uma sobrancelha. — E a moça? Yuri soltou uma risada seca. — Para o mundo, ela é a "moça perfeita". Mas eu cavei mais fundo. Entrei em alguns fóruns da dark web. Yuri apontou para um vídeo pausado, onde a iluminação era precária e o ambiente parecia um clube clandestino de apostas pesadas. — A "doce menina" é figurinha carimbada em circuitos que fariam os nossos soldados corarem. Dmitri inclinou-se para a frente, os olhos fixos na imagem granulada da mulher. — Parece que Yosev subestimou minha capacidade de enxergar através das máscaras, disse Dmitri, a voz como um sussurro de aço. — Se eles querem me dar uma esposa, vamos deixá-los acreditar que o plano está funcionando... Mais tarde. O sol já havia se posto, quando Dmitri deixou o prédio. Ao se aproximar do sedã blindado, o motorista, abriu a porta traseira. Dmitri parou por um segundo. Sentada no couro luxuoso, como se fosse a dona do veículo, estava a sobrinha de Yosev. Rina Krushinsk . Ela vestia um conjunto que gritava pureza, os cabelos presos em um coque impecável. — Por favor, perdoe a minha intromissão — ela disse, com uma voz doce e melódica, um sorriso tímido brincando nos lábios. — Achei que poderíamos ter um momento... a sós. Dmitri trocou um olhar com Yuri, que estava parado logo atrás dele. Yuri apenas assentiu e fechou a porta assim que Dmitri se acomodou no banco. Dmitri não disse uma palavra, apenas observou a mulher à sua frente. Com uma agilidade que contrastava com sua aparência, ela deslizou do banco e se posicionou no chão do carro, entre os joelhos de Dmitri. — O que você quer? A voz de Dmitri saiu como um trovão baixo, sem um pingo de cortesia. Ela inclinou a cabeça, os olhos castanhos arregalados com uma falsa inocência que faria qualquer outro homem cair a seus pés. — Apenas conhecer o homem. Dmitri soltou uma risada seca, desprovida de humor. — Eu não gosto desse jogo, e você é péssima em atuar. A mudança foi instantânea. O brilho tímido nos olhos dela evaporou, substituído por uma chama vertical e predatória. — Então você prefere as mulheres ousadas? Rina sussurrou, a voz carregada de segundas intenções. Sem esperar resposta, ela se ergueu levemente, pressionando o corpo contra o dele. Esfregou os seios com firmeza contra o membro de Dmitri, desafiando a sua compostura enquanto suas mãos subiam pelas coxas dele. Antes que ela pudesse avançar, a mão de Dmitri disparou. Ele segurou o queixo dela com força, forçando-a a erguer o rosto. Ele aproximou o rosto do dela até que suas respirações se misturassem, os olhos dele fixos nos dela como dois punhais de gelo. — Eu vi os vídeos, ele sussurrou contra os lábios dela, sentindo-a congelar por um milésimo de segundo. — Eu sei exatamente o tipo de "flor" que você é. Se você acha que pode me manipular com o que tem entre as pernas, está subestimando terrivelmente o homem que está tentando seduzir. Nem drogado eu aceitaria uma cadela como você! O sorriso dela vacilou, mas a audácia não desapareceu. Ela tentou dissimular, afinal a esposa do Pakhan era um título pelo qual valia lutar. O olhar de Dmitri era cortante, desprovido de qualquer traço de luxúria, apesar do contato físico. Ele a soltou com um empurrão seco, como se estivesse descartando um objeto sem valor. — Saia do carro, ele ordenou. — Nós dois sabemos que... — Você não ouviu bem? Dmitri inclinou-se para a frente, a sombra do interior do carro tornando suas feições ainda mais sinistras. — Sua "reputação impecável" é o único capital que Yosev tem para negociar com o conselho. No momento em que eu vazar esses vídeos da dark web, você deixará de ser uma noiva valiosa para se tornar uma vergonha que ele mesmo terá que eliminar para salvar a própria pele. A cor fugiu do rosto dela. A ameaça era real, e ela sabia que, no mundo da máfia, a desonra era frequentemente punida com sangue. — Você não faria isso... ela sussurrou, a voz perdendo a força. — Eu sou o Pakhan. Dmitri rebateu, a voz gélida. — Eu não preciso de mentiras e manipulações baratas. Se você, ou seu tio, cruzarem o meu caminho novamente com esse teatro, eu farei questão de que sua queda seja pública, lenta e muito dolorosa. Dmitri bateu levemente no vidro. Instantaneamente Yuri a abriu pelo lado de fora. — Vamos. Fora! Então disse Yuri, sem um pingo de cavalheirismo. — Yuri. — Pakhan? — Mantenha os arquivos prontos. Rina estava muito ansiosa para agradar. Se Yosev mencionar a palavra "casamento" no jantar de amanhã, eu quero que ele receba um link privado antes mesmo da sobremesa ser servida. - Certo. - Agora vamos, estamos atrasados.






