Clara
O tribunal estava em silêncio, mas dentro de mim tudo gritava. Cada passo até aquele banco dos réus arrastava uma parte da mulher que um dia fui. As algemas nos meus pulsos já nem doíam mais. Eu estava dormente. Morta por dentro muito antes de qualquer sentença ser lida. O nome Clara Monteiro ecoava na sala como uma maldição, como se eu carregasse sozinha o peso de todos os pecados do mundo.
Vestia o uniforme da prisão. Os cabelos, antes sempre arrumados, estavam presos num coque frouxo.