Mundo de ficçãoIniciar sessãoComeço a vasculhar na minha galeria, alguma imagem que eu ainda não tenha postado em nenhuma rede social e em que meu rosto não fique muito visível. Estou quase desistindo, quando me recordo de algumas fotos que Paul tirou de mim no apartamento dos pais de uma de nossas colegas da faculdade.
Era noite e eu usava um vestido preto de renda, aberto na lateral, enquanto olhava o movimento da rua pela varanda. Havia terminado os parabéns para a aniversariante e, no momento em que começou a festa, segui para a varanda na intenção de tomar ar fresco. Paul me acompanhou. Com pressa, entro no meu e-mail e procuro pelo contato dele. Como imaginei, lá estão as imagens que ele havia me enviado e eu esqueci de salvar. Escolho uma mais sóbria, mas ainda assim sexy. Nela, parte do meu corpo aparece de lado no perfil e o meu rosto fica pouco definido, iluminado apenas pela luz dos faróis dos carros na avenida abaixo. Aplico um filtro azulado para camuflar a cor do meu cabelo que cai como ondas em minhas costas e coloco a imagem no perfil do aplicativo. Depois de tudo pronto, respiro fundo e decido mandar a bendita mensagem para ele. << Bom dia, Rodrigo, como vai? Nos conhecemos há alguns meses, mas acho que você não se recorda de mim, foi um breve momento. No entanto, fico contente em saber que em alguns dias poderei revê-lo no evento ambiental que será patrocinado pela Ferrer Engenharia. Será interessante. ;) Um beijo. Ass: B Meu coração b**e desesperadamente em meu peito quando termino de escrever e clico em enviar. Guardo o celular, trêmula, e retorno para a areia. O dia passa com toda a sua pressa, jogando na minha cara o quanto um segundo pode significar tudo ou nada. Cada minuto de espera me tortura, mas ainda não há nenhum sinal dele. A parte boa é que ele ainda não visualizou a mensagem, então há esperança. Após sairmos da praia, deixamos Gemma em sua casa e seguimos para a minha. Paul se mantém em silêncio, e eu também não procuro puxar assunto, até porque estou exausta e a única coisa que quero agora é tomar um banho, jantar e dormir. Assim que estaciona na minha rua, despeço-me e faço menção de sair do carro, mas ele segura o meu braço. — Alba, espera. Volto minha atenção para o seu rosto e aguardo que continue. — Sim? — O que vai fazer mais tarde? — pergunta com o olhar cheio de expectativas. Engulo em seco. — Irei descansar, Paul. Só isso — respondo e volto a puxar o trinco da porta. — Não gostaria de sair comigo? Podemos jantar fora — sugere. Arregalo os olhos, surpresa. Nunca saímos somente nós dois, saímos sempre em trio. — Paul, desculpa, mas realmente estou cansada. — Me dê uma chance, Alba. Posso fazer você feliz. — Seu toque em meu pulso se estreita ainda mais, quase me machucando, mas a sua revelação, confusa e incoerente me causa choque. — O que está dizendo? Somos amigos, Paul — questiono, assustada, e puxo o meu braço. Mas ele segura com ainda mais força. — Estou dizendo que gosto de você, não como amigo. Desejo você, Alba. Como um homem deseja uma mulher. — Você não está… raciocinando direito — gaguejo ao ver que ele me encara com firmeza e inspeciona algumas partes específicas do meu corpo. Fico constrangida. — Me dê uma chance. Esquece aquele cara. — Paul, me solta. Você está me machucando. Me solta! Vejo-o soltar um suspiro pesaroso. Em seguida, afrouxa o aperto no meu braço. Respiro aliviada, mas ainda assim confusa com as revelações dele. No entanto, estou tão cansada que prefiro acreditar que ele esteja delirando, assim evito a fadiga de discutir sobre o assunto. — Perdão. Não quis te machucar — diz e se afasta. — Melhor você ir descansar também. Raciocinará direito amanhã. — Levo a minha mão à porta, abro-a e saio depressa, sem esperar que ele responda. Entro em casa, subo para o meu quarto e sigo direto para o banho. Quando termino, desço para jantar com meus pais. Aproveitamos para conversar sobre o dia. Mais tarde, após virar de um lado para o outro na cama, estou prestes a me levantar e ir até a cozinha comer algo quando ouço o toque de mensagem do meu celular, que está do meu lado na cama. Viro-me e pego o aparelho para conferir de quem se trata. É uma mensagem de Paul, pedindo desculpas pela forma que falou comigo. Penso em responder, mas decido deixar para o dia seguinte. No entanto, sinto meu coração falhar algumas batidas quando vejo outra mensagem chegar. Olho o nome dele na tela, quase sem acreditar que ele tenha mesmo respondido. Tenho a sensação de ter milhares de borboletas no estômago quando vejo o nome Rodrigo Andrés.






