Não era fácil suportar tanto desprezo vindo de todos os lados, ainda mais vindo de alguém a quem nunca havia feito mal algum.
— Posso não ser ninguém para você — disse, com a voz segura, apesar do nó na garganta —, mas fui eu quem o ajudou no momento em que ele mais precisava.
Mantendo a postura altiva, Lorena soltou um sorriso curto.
— Acha mesmo que ele se importa com isso? — rebateu. — Para ser bem sincera, ele nem se lembra direito de quando e como chegou aqui. E quando contei, o Renato ainda brigou comigo por eu ter deixado você entrar no carro dele e levá-lo até o hospital. — mentiu. — Então não se ache importante pelo que fez. Se conseguiu trazê-lo até aqui, foi porque ele estava desacordado e fora de si. Se estivesse consciente, jamais teria permitido.
— Você está mentindo! — disse Sara, incrédula.
— Acha mesmo que eu preciso mentir sobre isso? — retrucou, fria. — Se quer provar que não estou mentindo, vá agora mesmo até o quarto do Renato e ouça tudo da boca dele — provocou.