O caminho até a cidade seguiu em silêncio. Eu mantinha as mãos juntas no colo, olhando para frente, tentando não pensar demais. O carro avançava rápido pela estrada de terra, e o som dos pneus era a única coisa que quebrava o vazio entre nós.
Em alguns momentos, senti o olhar dele sobre mim, rápido, contido. Não virei o rosto. Preferi fingir que não percebia. Parte de mim ainda estava tensa pelo que aconteceu no quarto, outra apenas cansada de tudo.
Eu não confiava nele. Sabia disso. Mas também não podia negar que, naquele dia, ele havia sido diferente. Menos duro. Menos distante. Aquilo me confundia.
Respirei fundo e encostei a cabeça no banco, fechando os olhos por um instante. Tudo o que eu queria era resolver o que precisava ser resolvido, fazer meus óculos e ir embora dali. Voltar para minha vida. Para longe daquela casa, daquela família… e dele.
Mas, mesmo tentando me convencer disso, algo dentro de mim sabia que nada estava tão simples quanto eu queria acreditar.
O que acontecer