5

—Marcos, era minha primeira vez, você compreende?

Marcos lembrou ter visto sangue nos lençóis.

—Eu sei —disse com desgosto—. Pode acreditar que vou te recompensar.

Emma estava completamente feliz e prestes a pular de alegria quando ouviu Marcos falar.

—Mas não peça que eu me case com você, porque isso nunca vai acontecer —disse Marcos, continuando seu caminho até o quarto.

A mulher, que até poucos segundos antes sorria, encheu-se de desgosto. Ouvir que Marcos nunca se casaria com ela a fez refletir. Ela precisava encontrar outra forma de prendê-lo, porque Marcos tinha que ser dela. Agora que Maite não estava mais por perto, precisava garantir que ele não se apaixonasse por outra.

Marcos chegou ao quarto e a primeira coisa que fez foi tomar um banho. Minutos depois saiu e, quando estava prestes a se vestir, Emma entrou vestindo uma camisola tão fina que deixava praticamente todo o seu corpo à mostra. Com sutileza, ela roçou os ombros de Marcos, que se assustou ao ser tocado. Levantou o olhar e a encontrou refletida no espelho. Emma aproximou-se de seu ouvido e sussurrou algo, fazendo os pelos de Marcos se arrepiarem. A mulher achava que conseguiria seduzi-lo e engravidar, mas Marcos reagiu rapidamente. Franzindo a testa, questionou:

—O que você pensa que está fazendo?

A mulher ficou perplexa, pois acreditava que Marcos cairia rendido diante de sua nudez. Mas, em vez disso, só conseguiu enfurecê-lo ainda mais.

—Saia do meu quarto, Emma. Você pode morar na fazenda se quiser, mas não volte a entrar no meu quarto sem minha permissão. Entendido? —disse Marcos, enrolando uma toalha na cintura. Em seguida, saiu do closet, caminhou até a porta e a abriu bruscamente para que Emma saísse.

—Mar… cos… eu… —tartamudeou a mulher—. Desculpe, me perdoe, me deixei levar.

—Que não se repita —disse Marcos—. Aconteceu uma vez e eu estava bêbado, mas não vai acontecer de novo. —sentenciou. Fechou a porta atrás de Emma, que apertou os punhos com força. Depois, foi para o seu quarto e se jogou na cama. Ali, chorou intensamente, abafando os gritos no travesseiro.

Enquanto Emma chorava, Marcos, em seu quarto, pensava em como aquela mulher era louca. Não sentia o menor interesse por ela; a única mulher capaz de deixá-lo louco e seduzi-lo daquela forma era Maite. Sentiu raiva ao pensar nela, mas logo a expulsou dos seus pensamentos.

Três semanas haviam se passado desde que Maite foi condenada e encarcerada sem piedade, e Elisa ainda não havia despertado do coma nem dava sinais de que iria fazê-lo.

Na prisão feminina, Maite caminhava pelo pátio quando sentiu que tudo ao seu redor girava. De repente, desabou no chão. Ao vê-la cair, Graciela pediu ajuda aos policiais e rapidamente a levaram para a enfermaria.

Uma vez lá, a médica da prisão a examinou. Quando Maite acordou, ficou surpresa ao se ver na enfermaria. Olhou para o próprio corpo, preocupada se haviam feito algo com ela.

—O que aconteceu comigo? —perguntou nervosa.

—Nada grave, Maite. Você só desmaiou, mas precisa comer melhor —disse a médica.

—Comer melhor? —Maite esboçou um sorriso irônico—. Como se fosse possível comer melhor aqui.

A médica olhou para ela com tristeza.

—Eu sei, mas pelo menos tente comer tudo o que te derem. A criaturinha que você carrega dentro de si precisa disso —disse. Aquela notícia foi como um balde de água fria. Maite se perguntou o que a médica quis dizer com “a criaturinha que você carrega dentro de si”.

—O que você está dizendo, doutora? —perguntou atônita.

—O que você acabou de ouvir. Você está grávida —respondeu a médica.

O coração de Maite encheu-se de alegria. Levou as mãos à barriga e sorriu feliz. Mas logo pensamentos negativos invadiram sua mente. Seu filho nasceria na prisão? E depois que nascesse, o que aconteceria com ele? Encheu-se de tristeza e caminhou até sua cela com a mente perdida.

Haviam condenado a 60 anos de prisão. Ela sairia daquele lugar já como uma senhora idosa, o que significava que nunca poderia estar com seu filho. Voltou a chorar até que suas bochechas ficassem encharcadas. A simples ideia a deprimia. Não tinha ninguém do lado de fora que pudesse cuidar de seu filho, porque na prisão ela não poderia criá-lo, e se Marcos descobrisse, o mais provável era que o tirasse dela e nunca permitisse que ficasse com ele.

—E agora com você? O que aconteceu? —perguntou Graciela ao vê-la chorando. Maite deixou-se cair na cama.

—Estou grávida e não sei o que vai acontecer com meu bebê depois que ele nascer —disse. Graciela ficou surpresa com a notícia, pois a situação de Maite era muito grave. Embora fosse uma pessoa fria, tentou consolá-la, mas naquele instante anunciaram que ela tinha uma visita.

—Fique tranquila, tudo vai se resolver, tenha fé —disse Graciela antes de sair. As palavras da mulher sempre a faziam sentir melhor, então Maite deixou os pensamentos ruins de lado e começou a falar com seu pequeno filho.

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Por outro lado, Alex recebeu uma ligação importante.

—Diga, Davis.

—Senhor Smith, não se esqueça de que hoje temos uma reunião importante com os Heredia.

—Não poderei comparecer, então quero que você cuide disso.

O homem do outro lado da linha respondeu:

—Como o senhor ordenar.

Alex era o responsável pelas empresas americanas para as quais Marcos vendia os plátanos que exportava. Levá-lo à ruína era seu plano; ele não descansaria até cobrar de Marcos cada lágrima que sua irmã derramou.

Alex dirigiu-se à prisão e sentou-se na sala de visitas, esperando Graciela. Ao vê-la chegar, puxou a cadeira para que a mulher se acomodasse.

—Que notícias você tem para mim, Graciela?

A mulher olhou para os lados, certificando-se de que não havia policiais por perto, e disse:

—Maite está grávida. Acabou de descobrir e está um mar de lágrimas porque acha que não tem ninguém para cuidar do filho.

Alex sorriu.

—Está me dizendo que vou ser tio?

Graciela assentiu.

—Ótimo. Diga à minha irmã que não se preocupe. Mais cedo ou mais tarde vou tirá-la deste lugar. López já está acompanhando o caso do exterior. Não vai passar de um mês e ela estará livre… e você também.

A mulher sorriu e agradeceu a Alex por tudo o que ele estava fazendo por ela. Ele agradeceu por cuidar de sua pequena irmã e mantê-lo informado de tudo o que acontecia com ela dentro da prisão.

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PASSADO

Há anos, Albert Ferri, pai de Maite e Alex, chegou em casa bêbado como todas as noites e espancou Rebeca até se cansar. Cansada de tanto abuso, ela decidiu se divorciar, mas Albert se recusou a conceder o divórcio e a ameaçou de tirar as crianças se ela insistisse; inclusive a ameaçou de morte.

Apesar de não possuir uma grande fortuna, Albert tinha poder suficiente para fazer e desfazer no país. Isso se devia ao fato de ser a mão direita do pai de Marcos. Por esse motivo, Rebeca não ousava fugir nem denunciá-lo.

Mas tudo mudou quando alguém lhe forneceu informações sobre uma fundação estrangeira que ajudava mulheres vítimas de violência. Foi então que planejou fugir com os filhos. A fundação enviou um avião particular para retirá-la do país junto com seus dois filhos.

Naquela noite em que decidiu fugir, uma forte tempestade se desencadeou. Minutos antes de a ajuda chegar, Albert havia saído da mansão. Assim que ele foi embora, o carro que levaria Rebeca até o avião estacionou do lado de fora da mansão.

Enquanto isso, Albert seguia caminho para encontrar seu amigo Marcos, filho de Elisa. Concentrado no volante, de repente uma enorme árvore caiu na frente do seu carro. Ele freou rapidamente e evitou ser esmagado. Levou apenas um grande susto. Depois de se recuperar, ligou para o amigo e contou o que havia acontecido. Decidiram adiar a reunião.

Imediatamente, Albert deu meia-volta e retornou para casa. Não havia se afastado muito da mansão, por isso, quando estava quase chegando, viu sua esposa entrar em um carro desconhecido.

—Não! —o medo de que Rebeca o abandonasse invadiu seu corpo e ele começou a buzinar. Ao ver o carro do marido, Rebeca sentiu o pânico crescer. Albert começou a segui-los e o carro em que sua esposa estava acelerou ainda mais. A chuva ficou ainda mais forte.

Minutos depois de uma perseguição rápida e furiosa, o carro em que Rebeca estava parou em um terreno amplo onde o avião particular os esperava. Assim que o veículo parou, todos desceram. Alex, que tinha oito anos, correu para o avião e Rebeca carregava Maite no colo.

O corpo inteiro de Rebeca tremia e, a apenas um metro de chegar ao avião, ela caiu e soltou a filha. Naquele momento, Albert chamou Maite e a menina correu até ele. O homem que havia ido buscar Rebeca tentou detê-la, mas a criança correu ao chamado do pai. Então, o homem ajudou a mulher a se levantar e, quando ela ficou de pé, tentou ir atrás da filha, mas Albert já tinha Maite nos braços.

—Precisamos ir.

—Deixe-me voltar para pegar minha filha —gritou Rebeca.

—Se você voltar, ele vai te matar. Quer continuar nessa vida? Minha missão é te tirar daqui, então suba no avião. Não podemos perder mais tempo.

Com o coração partido em mil pedaços, Rebeca subiu no avião. Assim que ele começou a decolar, Rebeca estendeu a mão e soluçou:

—Maite, minha menina, prometo que um dia vou voltar para te buscar, eu juro.

Ao ver o avião subindo e sua esposa partindo mesmo sem Maite, Albert ligou para o amigo pedindo que fizesse o possível para impedir o avião. Ele se recusou, pois era muito perigoso. Inclusive o repreendeu e exigiu que deixasse Rebeca em paz, que se ela havia decidido fugir era por causa dos constantes maus-tratos que sofria da parte dele. Depois de ouvir a bronca, Albert chorou e abraçou Maite. No dia seguinte, Marcos e Mer foram visitá-lo. Aconselharam-no a esquecer Rebeca e se concentrar em Maite, que agora ela deveria ser sua prioridade.

Desde aquele dia, Albert viveu para Maite. Ela era sua vida. Apagou todas as lembranças que pudessem existir de Rebeca e Alex. Quando tudo isso aconteceu, Maite tinha três anos. Nos anos seguintes, ela nunca viu fotos do irmão nem da mãe. Os poucos recuerdos que tinha foram se apagando com o tempo.

Nesse mesmo ano, Albert deixou o país e construiu uma nova vida no exterior. Ingressou em uma associação de Alcoólicos Anônimos. Anos depois, retornou ao seu país natal devido à trágica morte de seu grande amigo em um acidente de trânsito. Marcos, neto de Elisa, ficou órfão ainda muito jovem e sua única parente era Elisa, sua avó. Por isso, Elisa se tornou a pessoa mais importante na vida de Marcos Heredia. Por ela, ele estava disposto a matar e tornar a vida um inferno de qualquer um que tentasse machucá-la.

Quando os pais de Marcos faleceram, Albert Ferri assumiu as plantações de banana. Durante todo esse tempo não voltou a morar em seu país natal; apenas fazia visitas ocasionais para supervisionar os negócios. Quando Marcos completou dezoito anos, assumiu o comando e Albert foi para a Europa, onde viveu com a filha até adoecer.

Isso aconteceu quando Maite acabara de completar dezoito anos e havia entrado na universidade, a mesma em que estudava Emma, filha da mão direita de Albert. Emma e Maite eram amigas desde muito pequenas, mas o carinho que Emma dizia sentir por Maite não era sincero. O que ela sentia era ódio, desprezo e uma inveja infinita. Emma odiava que o pai de Maite desse ordens ao dela e invejava a forma como Albert superprotegia Maite.

Diferente de Maite, Emma sim viajava para seu país natal e, quando o fazia, ficava na fazenda dos Heredia. Elisa adorava que ela ficasse, pois gostava de ter mais gente em casa, já que só havia ela e Marcos, e este último vivia viajando.

As viagens de Emma eram frequentes, pois havia se apaixonado por Marcos e viajava todo fim de mês para vê-lo. Toda vez que voltava, contava para Maite sobre o amor que tinha no exterior, com quem se casaria assim que terminasse a universidade, mas nunca especificava quem era.

Quando Albert adoeceu, Marcos teve que assumir a empresa europeia. Viajou para Paris antes de Albert morrer e, ao chegar à Europa, visitou-o várias vezes, pois o homem não só havia sido o melhor amigo de seu pai, como também alguém muito importante para a família.

Antes de morrer, Albert pediu a Marcos que cuidasse de Maite, e Marcos prometeu que sempre a protegeria. Desde o dia em que a conheceu, apaixonou-se perdidamente por ela, pois a bondade e a doçura daquela jovem fizeram seu coração bater forte pela primeira vez.

Albert foi um pai excepcional para Maite, algo que Rebeca não acreditaria se visse.

Quando Albert fechou os olhos, a dor que Maite sentiu a deixou devastada. Sentir-se sozinha no mundo a aterrorizava, pois era frágil e tinha medo de tudo. Seu pai a havia superprotegido tanto que ela jamais imaginou que, quando ele partisse, sentiria tanto medo de continuar sem ele. Ela estava acostumada a ser amada, pois todos que a conheciam diziam que parecia um anjo frágil e belo.

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